ÚLTIMO BALANÇO DE VÍTIMAS, 64 PESSOAS MORTAS E 135 FERIDAS EM PEDRÓGÃO

Proteção Civil confia em ter controlado o incêndio em 24 horas

Proteção Civil confia em ter controlado o incêndio em 24 horas
Um bombeiro sobre o terreno
Um bombeiro sobre o terreno  Foto: RTP

[ACTUALIZAÇÃO ÀS 10.43 h]. O incêndio mais devastador da história de Portugal poderá estar sob controle em 24 horas, segundo as previsões de Proteção Civil. Aliás, as temperaturas nos concelhos mais afectados estão a ser muito altas esta terça feira, com temperaturas de 35/40 graus. O balanço de vítimas mantém-se em 64 pessoas mortas e 135 feridas.


Nas próximas 24 horas, o incêndio de Pedrógão Grande poderia vir a ser dominado, segundo Proteção Civil.

 

“A situação está bastante melhor. Durante a noite ou amanhã de manhã, o incêndio será dado como dominado”, disse Vítor Vaz Pinto, comandante operacional da Proteção Civil na manhã desta terça-feira.

 

Nas últimas horas, cinco incêndios no centro de Portugal uniram-se ao de Pedrógão e mobilizaram 2.150 bombeiros. Ficam atingidos os concelhos de Leiria, Coimbra, Castelo Branco e Bragança. Sobre o terreno, 2.150 operacionais, 662 veículos e 10 meios aéreos. 

 

As temperaturas altas e o vento contribuíram para as chamas prenderem em Pedrógão Grande, uma vila portuguesa do distrito de Leiria, na região centro do país. Desde o princípio foi evidente que o sinistro tinha grandes dimensões e ia ser dos mais mortíferos das últimas décadas em Portugal.

 

O sinistro teria começado ao ter sido atingida uma árvore por um raio no quadro duma trovoada seca, isto é, uma trovoada com zero humidade.

 

IncêndioA Polícia Judiciária acha que foram causa naturais e não uma mão criminosa as que originaram o incêndio. "Conseguimos determinar que a origem do incêndio foi provocada por trovoadas secas", disse o director nacional da JP, Almeida Rodrígues.

 

No mínimo por volta de 40 pessoas morreram dentro dos seus carros ou foram atingidas pelas chamas perto das viaturas, na estrada, entre Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra. Analistas não entendem por que as estradas perto do local do incêndio não foram cortadas com maior celeridade.

 

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deslocou-se o domingo ao local da tragédia e defendeu a atuação dos efectivos da Protecção Civil. Disse ainda que os bombeiros foram "verdadeiros heróis". “Não há nem falta de competência, nem falta de capacidade, nem falta de imediata resposta perante desafios difíceis”, disse.

 

Um pinhal cheio de eucaliptos

 

O lume prendeu numa vasta zona que, embora ser chamada de pinhal, está colonizada por eucaliptos. Um porta-voz da associação ambientalista Quercus, João Branco, disse à agência de notícias Lusa que o incêndio se produziu em grandes manchas de eucaliptal desordenado.

 

"O Governo promete uma reforma florestal [com a proibição de plantar eucaliptos até 2030] e a revogação da chamada lei do eucalipto e continua na mesma, isso é triste", disse Branco.

 

Segundo os dados de Quercus, no pasado inverno as vendas de eucaliptos em Portugal chegaram aos três milhões de exemplares.

 



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