Arde Galiza por todos os lados. Não é uma afirmação retórica, é real.

 

Chandrexa de Queixa, Triacastela, Samos, Ponteareas, Monterrei, Vilar de Vos, Folgoso do Courel, tudo está em chamas. Desde Ortegal ao Minho como nos versos de Cabanilhas! A Xunta publica na paxina de Medio Rural que reforça os efectivos na fronteira para que nom passem os lumes desde o País vizinho, Portugal. É o mais disparatado que venho de ouvir. Julguei que, nisso do lume, o prioritário era a ajuda, não o Nacionalismo Espanhol.

 

Mais de 1500 hetares levam ardido desde o mês de agosto. Nada há tão trágico. Nada tão destrutivo. ADEGA sempre preconizou que os incêndios do Verão apagam-se no inverno. E assim fizemos depois dos terríveis incêndios do mês de julho de 2006. Com a criação do Voluntariado em defesa do Monte galego, com o que colaboramos ativamente, entre outras cousas. Daquela elaborara-se um programa amplo e ambicioso em colaboração com os montes vizinhais e com numerosos proprietários. Que resultou decisivo no restauro de terras queimadas e na prevenção dos incêndios nos anos seguintes. Também na parada de incêndios daquele ano.

 

Mas as políticas da Xunta preferem investir em extinção em lugar de em prevenção. Um helicóptero cobra uns 6.000 euros por hora. A tentação está servida para promover os convénios entre empresas do fogo e a Xunta. Um incêndio de entre 20/30 hetares custa uma media de 300.000 euros. No ano passado medio rural assinou um conveio com a BRILAT de Pontevedra de 500.000 euros.

 

Tanto dinheiro para pagar a destruição do País. Para pagar a maior agressão à Terra. Nossa Casa comum! Quanto custariam os empregos de brigadas durante todo o ano, roçando e preparando o monte para que nom ardesse? Ou que ardesse menos.

 

Tanto dinheiro para pagar a destruição do País. Para pagar a maior agressão à Terra. Nossa Casa comum!

 

Certamente que a situação atmosférica é terrível. Mas conhecemos-la com bastante tempo de antecedência. Nom me valem desculpas!

 

Este verão nom choveu. Mais concretamente, nom choveu em todo o ano, chuva normal. A Terra está seca. O campo abandonado. As aldeias valeiras só habitadas por poucos idosos que resistem solitários/as nas suas casas.

 

Toda a gente repete as mesmas ladainhas: É necessária uma política para compensar o éxodo do rural para as cidades. É necessária uma política florestal dirigida cara espécies não ignífugas e nom só. É necessário um ordenamento territorial que condicione as plantações florestais, agrícolas e gandeiras: Bla, bla, bla.

 

Mas que é o que se faz? NADA.

 

Eu critico desde aqui aos nossos governantes. Sim. Mas denuncio com mais força a quem lhes deu o poder com o seu voto. O Sr Feijó nom engana a ninguém. Ele é o que é. Todas as pessoas puderam ver sus fotografias comprometidas com amizades perigosas. Todas as pessoas podem avaliar suas políticas económicas, culturais e de Território.

 

Se estamos assim é porque a gente o consente. Nom val a pena chorar. É agir o que faz falha. É termos consciência de País, de responsabilidade com a Terra e com a sociedade em que vivemos. O meu bem querido amigo, Mini (Xosé Luis Rivas) enunciava um bando ideal (Facebook) como ex alcalde de Boimorto que reflete responsabilidade, interesse polo comum, e dignidade. Em essência reclama á sua suposta cidadania que restrinjam o uso inecessario de água, que tomem precauções perante os tempos de seca grave que estamos a viver, que sejam cidadãos responsáveis. Mas meu amigo foi destituído por uma expúrea moção de censura e agora já não é o alcalde de Boimorto. O Povo é quem mais ordena. Pois eu reclamo que ordene de uma vez!!

 

Se estamos assim é porque a gente o consente. Nom val a pena chorar. É agir o que faz falha

 

Não é brincadeira o problema do clima. Responsabilizemos-nos. A austeridade bem entendida pode ser uma virtude. Aforrar em água, luz, gasolina (transportes), consumir produtos de temporada e de proximidade (como nos ensinaram á geração da post guerra) reduz a pegada de CO2, mitiga o aquecimento global e melhora as nossas economias. Deixar água para as necessidades urgentes é um ato de responsabilidade imprescindível, nestes tempos, e sempre. Leio que querem fazer um campo de Golf em Baiona que consumirá grande parte da água necessária para usos domésticos, agrícolas e de primeira necessidade. Isso de nom ter para pão e gastar em postalinhas é próprio dos países sem cultura do comum. E sem nenhuma outra cultura.

 

Que pena de País!. Galiza desperta de teu sono, ou vais acabar afumada e seca como os chouriços!. A solidariedade já não é uma virtude. Agora é uma necessidade.

 



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