As forças Ocidentais estão a perder a guerra da Síria, seus aliados financiados pelos Sauditas, o Catar, com a ajuda da Turquia, perdem terreno a cada novo dia. A mesma divisão entre Catar -aliada agora Irão e Turquia, em contra da Arabia Saudita - Egito - Iémen, em fricção pelo hegemonia na região, divide a sua vez os mesmos grupos jihadistas (que agora combatem entre si, com mais intensidade do costumeiro). As ultimas armadilhas americanas não tem funcionado, a aliança recente dos curdos das YPG com os EEUU mas parece um suicídio político-militar, que um acerto que pudera possibilitar um espaço de governação próprio, longe do controle da família Al-Asaad, instalada em Damasco.…

 

A maiores, na Ásia, a Organização de Cooperação de Xangai avança vento em popa, reunindo numa das maiores áreas para o desenvolvimento humano, tecnológico e de criação industrial; com capacidade imensa, graças a os grandes países garantes do financiamento de novas infraestruturas, a desenvolver por todo o continente. Esta área reúne o grosso dos gigantes económicos BRICS, a mais basta demografia e maior capacidade de inversão dos últimos anos, sem esquecer que por suas aguas passa a maior parte do comercio marítimo do mundo. China acaba de anunciar um investimento de 900 mil milhões de dólares, na ampliação dum alargado corredor, para consolidar a nova rota da seda, agora delinheada entre Ásia–Europa e África. Enquanto os EEUU, nada mais podem fazer que tentar ampliar suculentos contratos do poderoso sector militar-industrial, como os ainda não formalizados com a Arábia Saudita, que de finalmente ser assinados poderiam ascender a cifra menor (ainda que nada despreciável) de 100 mil milhões de dólares.

Apesar que Ocidente siga ainda no comando dos três tabuleiros que controlam o mundo (1-militar, 2-económico 3-social-cultural), todo parece indicar que, a dia de hoje, somente a já tradicional prudência chinesa tem evitado remover já o segundo tabuleiro, deslocando definitivamente o poder económico face a China

Apesar que Ocidente siga ainda no comando dos três tabuleiros que controlam o mundo (1-militar, 2-económico 3-social-cultural), todo parece indicar que, a dia de hoje, somente a já tradicional prudência chinesa tem evitado remover já o segundo tabuleiro, deslocando definitivamente o poder económico face a China. Beijing poderia criar alem de um Banco de Financiamento que já faz pequenos os arranjos do FMI, agências de ranking que competissem com Standar and Poor´s ou Moody´s (além do centro financeiro de Xangai), colocando definitivamente Londres e Wall Street, num plano secundário. Isso significaria talvez uma guerra aberta. Algo não desejado pelos Bric. No entanto a dinâmica de crescimento chinês, a pesar das fortes convulsões e contradições interiores, não parece ter ainda teto, como também não a sua inteligência...

 

As cousas viram de rumo. Na década de 90, do século passado, o Império Ocidental parecia experimentar uma expansão imparável. Mesmo estava prestes a controlar todo o mundo: a URSS tinha abalado, a nova Rússia estava de joelhos (a Europa do Leste entregue ao eixo imparável Paris – Berlim); China tirava do motor económico, encaixada perfeitamente na arquitetura ocidental (onde a implantação da Era Tecnotrónica, animava o deslocamento do setor produtivo industrial ao sudeste asiático). As revoluções coloridas derrubaram tiranias e impunham governos servis aos interesses do império anglo-saxão. Tudo em aparência chamava a estabelecer um poder único no orbe, comandado pelo Ocidente. No entanto as intervenções falidas do Afeganistão e o Iraque e, a maiores, o cumulo de dívida atesourado (preciso para criar vassalagem), que pronto atingiria seu limite biologico impulsando a implosão sistémica no pulmão Imperial (durante o período de 2007 – 2008); tombaram definitivamente aquela espiral de ascensão, made in USA. Começando, pelo tanto, a nova tendência à contração, do velho centro geofráfico ocidental.

 

 

Os números escrevem também a realidade. Num recente artigo intitulado: "O confronto petrolífero..." Rui Namorado Rosa, nos descreve este panorama: "Ao longo de uma década, de 2005 a 2015, a produção e consumo de energia primária cresceu globalmente 20%. A produção mundial de petróleo cresceu 12%, enquanto a de gás natural e a de carvão cresceram 26% uma e outra. Atualmente, o aprovisionamento mundial de energia primária é assegurado esmagadoramente pelas fontes fósseis – petróleo 33%, gás natural 24% e carvão 29% – a que se segue a nuclear, a hídrica e as (restantes) renováveis com 4%, 7% e 3%"; acrescentando que: “a energia suporta a vida da sociedade e alimenta a economia e o poder militar”.

 

Assegurar pois o controlo do Meio Oriente e a Ásia, é fundamental. Sendo o Meio Oriente o corredor estratégico da energia, sendo a Ásia o grande mercado ascendente. Estando as rotas marítimas estratégicas situadas entre o Índico e o Pacífico.

 

Assim, pois, não ser deslocados do jogo nesta região é vital para cimentar qualquer supremacia (dentro das tristes dinâmicas de guerra, nas que infelizmente ainda se move o mundo). Pela sua posição geográfica uma Rússia independente e, a maiores com pretensões imperais, não pode emergir, sem por em risco o domínio global planetário dos EEUU. Derrotar e derrubar Rússia, pelo tanto se fez preciso para isolar China.

 

Assim que, em apariência, de novo a retórica de guerra volta a ser dominante: o senado norte-americano tenta punir Rússia e relançar o negócio energético de Washington, no entanto seus próprios aliados da Alemanha e a Áustria, na União Europeia, vêm lesados seus interesses e consideram a medida uma intervenção inaceitável no mercado energético da região.

 

Esta lógica belicista pressagiava um confronto direto entre Ocidente e os BRICS, nomeadamente por que seus interesses não estavam a tornar-se completares. Mas uma guerra direta acende a alarma nuclear. Obama tentou garantir a supremacia dos Estados Unidos, mediante uma velha estratégia política (já aqui muito analisada) denominada de "Meio Oriente Alargado", onde Ocidente em colaboração com a Fraternidade Muçulmana, tomava definitivamente o controlo total da região, anulando, isolando ou menorizando o poder do Irão, Rússia, e agora a capacidade de intervenção comercial da China. A ajuda a Damasco, por parte do Hezbollah, Irão e a intervenção definitiva da Rússia; assim como a divisão e confronto dos Sauditas e Cataríeis (removida por parte de Riade da Fraternidade Muçulmana no Egito), complicou para Ocidente as cousas.

 

Tudo rumava ao confronto BRICS – Ocidente no Oriente Meio, no entanto o cambio de Trump por Obama e o abandono norte-americano da imposição dum "Meio Oriente alargado", em favor duma politica de "criar situações económicas que imponham mudanças políticas" poderia segundo Thierry Meyssan, forçar um acomodo com benefícios mútuos para todos, evitando o pior dos cenários.

 

Por outro lado como bem afirma meu bom amigo João Fernandes: “...neste atual cenário da cena internacional mais material que espiritual, mais bélico que pacificador e mais centralizador de riqueza que de redistribuição fiscal e desenvolvimento. A impreparação, impulsividade e narcisismo de muitos atores da cena internacional, aliados ou pressionados por um poder financeiro desregulado e prostituído por «off-shores», gerando a concentração de riqueza em 1% da população mundial, não só espelha a realidade de falta de bons estadistas, como está a agravar a insatisfação dos povos”

 

Essa agravação da situação dos povos, ainda turba mais o cenário global. E muitas hipóteses ficam à frente:

 

Aguentarão os povos, a espiral, pelo momento, incontável roubo de património público em beneficio de Transnacionais privadas (que a seguir convertem em renda, aquilo que antes era de propriedade estatal); inaugurando o fim do capitalismo (já a dia de hoje morto) e a instauração, daquilo que Michael Hudson, denominou de Neo-Feudalismo (baseado no cobro por parte dos senhores "grupos de inversão global" de rendas por todo tipo prestações, que vão desde sanidade - educação, a um passeio por um parque...?)

 

Serão capazes os novos Imperadores do Ocidente de travar o ascenso chinês, que significa a elevação dum novo Feudalismo Financeiro de Estado, sobre o Feudalismo Privado Bancário?

 

Ou, pela contra, definitivamente - sem entrar numa espiral de sofrimento terrível - os povos se darão conta que somente ultrapassando as velhas visões de confronto esquerda - direita, e começando a criar uma aliança global de seres humanos a favor dum Novo Mundo de justiça, bondade e fraternidade, será possível a paz no planeta?

 

O importante não é a cadencia da decadência norte-americana, senão ser capazes de começar a caminhar, entre todos os seres humanos, ate o horizonte de início do fim da OWO (Old Word Order), velha ordem mundial - seja esta russa, chinesa ou ocidental; em favor da Nova e Vendeira Ordem Mundial, baseada na responsabilidade individual, coletiva, fim da privatização dos patrimonios coletivos... Fim dos governos de elites, em favor dum governo mundial coletivo, dirigido pelos povos (onde todas as culturas, formas de vida, sejam integradas na teia viva da nossa mãe terra), para os povos e por os povos. Um governo onde a economia seja em favor da natureza, das gentes, as paisagens e a vida...

 

E tudo isto, deve começar por criar uma rede global de Amantes da verdadeira paz.



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