A alegria de lutar

“Que há que ser pacífico? Sim, mas há muitas maneiras de sê-lo”.  Periko Solabarria   Até justo antes da sua  morte podiam-se ver nos jornais quase a diário, as fotografias de um idoso de aspecto frágil, com txapela e em...

A poesia indígena de Asunción Antelo Suárez

Quando Francisco Añón se sentia demasiado elogiado recordava que a sua irmã Nicolasa, quem nunca publicara nada nem frequentara os ambientes literários de Lisboa, sim era uma grande artista e não ele: “Ai, se ela estudasse algo, se só pudesse ler quatro versos, os...

As comissões de festas: células de poder popular

Na agora reeditada Autobiografía dun labrego , Manuel de Roxo (1919-2009), vizinho de Castrofeito, freguesia do concelho do Pino, contaba ao antropólogo X. R. Mariño Ferro : “Na parroquia tamén temos o “concello”. Ao “concello” ten que asistir unha...

O cárcere como “scholé” dos movimentos revolucionários

    “Sairá do cárcere melhor ainda do que entrou nela. Ali descansa-se, estuda-se o que nós nom temos tempo de fazer quando nos achamos em liberdade.  Eu estivem três meses preso, e cada um dos meus encerros, embora com grande ...

Os “materiais preciosos” de uma geração de mulheres

Em pleno estado de choque pola ofensiva neoliberal, a equipa de Pierre Bourdieu intentou conjurar a sua perplexidade com um monumental livro coral de entrevistas às vítimas dessa brutal rutura do pacto bem-estarista de após-guerra. La misère du monde , aliás, aparecia...

O projeto gramsciano de Manuel Fraga

O enterro de Manuel Fraga Iribarne, perfeitamente cenografiado, foi o encerramento perfeito a um projeto político: a construção autonómica da Galiza, que rematou encarnando-se na pessoa do próprio líder. O cadeleito saiu da igreja coberto com a bandeira galega (as...

Pierre Clasters na comarca

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O espaço do discurso

  para Ernesto Vázquez Souza “O poder externo que priva o homem da liberdade de comunicar os seus pensamentos públicamente priva-o ao mesmo tempo da liberdade de pensar” . E. Kant   Quando Malcolm X acompanhou o jornalista M. S. Handle...

A liderança entranhável de Mika Etchebéhère

“ -(…) De todo se habrá visto. Una mujer manda la compañía y los milicianos le levan los calcetines.  ¡Para revolución, ya es una grande! -Como bien dices, es una revolución. ¿La prueba? Que me habéis elegido...

Memórias dum libertário de Moanha

Luis Pérez Álvarez, Nacidas, marinheiro de Moanha, vai escrever as suas memórias em 1983, quando parecia que já não ia voltar o fascismo, mas tampouco o reconhecimento aos que o combateram. Ciente de que pairava a ameaça da amnésia, Nacidas vorca no papel os recordos...

Etnografias da democracia paroquial

Para Pedro García Olivo, a existência de uma matéria escolar chamada “educação para a democracia” evidencia “a triste circunstância de que o nosso modelo político, indireto e representativo, não educa por si mesmo,...

Tinta de limão (Outubro).

Xosé Ramón Mariño Ferro tem sinalado, sobretudo através do cancioneiro popular

Tinta de limão (Abril)

Os desenhos geométricos dos petroglifos estimularom interpretações tão formosas quanto indemostráveis. Por exemplo a de Bouza Brey, quem via nos círculos concéntricos de pedra uma imagen da chuva.

“Aqui mandam elas”. Matrilinialidade, sexo e poder

Havia um rei que, antes de casar, quijo assegurar-se de que no seu reino fossem os homens os chefes da casa. Primeiro consultou com um criado, quem reconheceu que na sua casa governava a mulher, “como em todas as casas”. 

A conspiração dos corpos críticos

Em abril de 1939 o alcalde de Foz redige uma carta para o Governador civil de Lugo, dando conta da sua negativa a autorizar um baile na paróquia de São Martinho: “(…).

Lembrança galega de E. P. Thompson

Após uma parêntese para liderar junto com Bertrand Russell o movimiento antinuclear, o historiador marxista E. P. Thompson voltava à luta teórica com a publicação do Costumes em comum (1). Na mesma introdução Thompson já alertava da iminência duma crise sistémica acompanhada do desastre ecológico: “O artífice desta catástrofe –denunciava- será o homem económico, já seja sob a forma do capitalista clásico avariçoso ou sob a do homem económico da tradição marxista”. 

Periko -Solabarria, Igreja a pé de obra

Dous anos no mosteiro de clausura de Topas dam para muita soidade. Também para muito aprender, quando a companhia é boa e as conversas enriquecedoras. Com um companheiro basco, assinante da Herria 2000 Eliza, soubem de Balentxi, crego da zona velha de Donosti, ativista incansável e pioneiro com Txus Congil na luita pola prevençom e tratamento dos problemas da drogodependência, às vezes contra a incompreensom dos seus próprios companheiros. 

Os "Cow-boys" da Galiza selvagem

Os costumes ganadeiros e pastoris da Galiza tradicional revelam a importância que tivo o comunal e a democracia paroquial. Inseparáveis dos montes e pastos comunais, as cabanas ganadeiras –de gado miúdo os vacuno e cavalar- nom só constituiam um dos principais recursos económicos da aldeia ou paróquia, senom que também expressavam a sua identidade: poucas imagens representavam melhor a uniom comunitária do que o símbolo vivo da vezeira caminho do monte.

Espaços para a cultura dissidente

Na sua correpondência carcerária, Antonio Gramsci reflectia sobre a impossibilidade de criar e manter umha moral revolucionária sem dotá-la de bases materiais.

A noção de impureza sexual en Frades

Perante os tabus eclesiásticos e os rituais patriarcais, as mulheres de Frades também desenvolveram uns saberes que lhes permitiam certa autonomia sobre o seu corpo.

Zoológicas

O panóptico, o cárcere tornado lógica dos espaços, é a figura arquitectónica que distribui as celas ao redor da torre central de control, impondo, à vez, uma visibilidade axial e uma invisibilidade lateral entre os presos.

Mouras, sexo e colonialismo

Na intimidade do leito uma parelha camponesa ama-se. No espaço mais privado e supostamente furtado do público, representa-se toda uma cosmovisão que se condensa na postura da cópula. “O coito –diz Kate Millet- não se leva a cabo no vazio, é um facto político.

Cadernos de março, abril e maio

Castelao inspirou-se no escudo dos Marinho para desenhar o da República galega, mas qualquer uma que veja o original, colocado na fachada da capela do São José do Rianjinho, advertirá uma diferença chamativa. 

Diário de Fevereiro * 2014

Há uns dias um crítico literário escreveu sobre o galeguismo que “inegabelmente, unha enorme parte da sociedade segue a identificarse con el, sexa dunha forma politicamente consciente, sexa a través de banalidades identitárias como a gastronómica ou a deportiva”. 

A “Terrible Beauty” de Guilharei

A genealogia do movimento nacional galego costuma apresentar-se como uma sucessão de etapas literárias. Contra esta conceção inteletualocentrista da história têm-se pronunciado historiadores como Antón Capelán, para quem, na passagem do regionalismo ao nacionalismo político irmandinho, foi muito mais importante o sangue agrarista (“Un padrenuestriño polos que morrerom en Oseira, Nebra e Sofá!”, rezava o quadrinho de Castelao) do que a disquisição teórica.

Dezembro

Nas Conversas com Isaac Alonso Estraviz de Bernardo Penabade recolhem-se dous episódios de repressão lingüística na vida do lexicógrafo. O primeiro durante a sua infância no mosteiro de Usseira, nas décadas de 40 e 50. Para erradicarem o galego as autoridades religiosas criaram o seguinte sistema de auto-vigilância: quando a um neno lhe escapava uma palavra em galego passavam-lhe uma moeda, a “cadela” da que só se poderia desfazer endossando-lha ao seguinte galego-falante sem controlo.

Frutos selvagens

Mui pouco se tenhem apreciado na Galiza os frutos selvagens, sobretodo em comparaçom com outros países europeus como a França ou Alemanha.

O direito de autodeterminação da cozinha

As configuraçons identitárias modernas, com base no estado-naçom, continuam a ser alheias para muitas das indígenas galegas que sofrem os seus efeitos. Nas expressons dos velhos sobrevivem os restos do principal eixo identitário que ordenava o mundo antes do nacional: o religioso. Assim, do que nom fala galego di-se que “nom fala cristao”; defende-se os marginados alegando que “também som cristaos”; e os outros do mundo mágico som os mouros.

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