0 °C [leia-se «zero graus Celsius»]. Bieito: «Imagina, amigo Benito, que um fabricante sul-coreano de carros, digamos que a Hyundai, designa como Koño um novo utilitário desportivo, porque Koño —é um suposto— é o nome de um distrito ocidental, muito turístico, da ilha do Havai. Seria, entom, possível que esse carro fosse introduzido no mercado espanhol, e em Castela, sob a denominaçom Hyundai Koño/ Benito: «Ah, ah! O que dis, Bieito? Estás de brincadeira? Isso seria impossível, porque em castelhano —e como é possível que o ignores?— a palavra coño é voz grosseira, que denota a vulva da mulher. Isso seria indecente, indigno, constituiria um escándalo, e o fabricante seria alvo de merecidas campanhas públicas de irrisom e de escárnio. Teria de mudar logo o nome do carro, se quigesse vender bem! Observa que o originalmente chamado Mitsubishi Pajero, em Espanha já foi comercializado com o nome de Montero, para se evitar a ligaçom com cast. paja ‘masturbaçom, punheta’. O que propós que imagine é, portanto, cousa verdadeiramente contrafactual!» Facto: A Hyundai acaba de introduzir o seu novo utilitário desportivo no mercado espanhol, e portanto na Galiza, sem qualquer oposiçom dos notáveis galegos, sob o nome Hyundai Kona!

 

O originalmente chamado Mitsubishi Pajero, em Espanha já foi comercializado com o nome de Montero, para se evitar a ligaçom com cast. paja ‘masturbaçom, punheta’

 

–50 °C [leia-se «cinqüenta graus Celsius negativos»]. Bieito: «Imagina, amigo Benito, que em língua inglesa ‘casa, lar’ se denotasse —é um suposto— mediante a palavra hombre (pronunciada /´houmber/). Seria, entom, possível que um grande empresário castelhano do setor têxtil, proprietário de umha multinacional chamada Zonia, estabelecesse em Espanha, e em Castela, umha cadeia de lojas de produtos têxteis para o ámbito doméstico sob a denominaçom Zonia Hombre/ Benito: «Como, Bieito? Nom, ho! Isso nom parece possível, porque em castelhano —e como é possível que o ignores?— a palavra hombre significa ‘home, varom’, e porque, entom, os correspondentes rótulos, tabuletas, anúncios, etc., dessas lojas se revelariam enganadores, ao suscitarem no público, logicamente, a ideia de esses estabelecimentos Zonia Hombre venderem roupa masculina, para o hombre; além disso, nesse caso, em defesa do castelhano, e contra o imperialismo cultural anglo-saxónico, logo surgiriam diversas iniciativas cívicas e institucionais a censurarem publicamente tal dislate, e a empresa e o empresário ficariam desprestigiados no seu próprio país. O que propós que imagine é, portanto, cousa verdadeiramente contrafactual!» Facto: Certas lojas estabelecidas na Galiza por um grande empresário galego do setor têxtil som rotuladas como Zara Home, e nom vendem roupa para home, mas produtos para o lar!

 

Seria possível que um grande empresário castelhano do setor têxtil estabelecesse em Espanha umha cadeia de lojas de produtos têxteis para o ámbito doméstico sob a denominaçom Zonia Hombre?

 

–100 °C. Bieito: «Imagina, amigo Benito, que, por causas históricas e políticas, a partir do século XVI a língua castelhana ou espanhola tivesse sido deslocada, postergada, social e culturalmente em Castela por parte de umha outra língua alheia e, portanto, que, desde entom, em castelhano nom tivessem surgido neologismos, novas palavras; imagina, tamém, que nessa língua opressora do castelhano umha das letras do alfabeto se denominasse —é um suposto!— culo, e que umha família de substáncias orgánicas, de muito uso no campo da construçom, se designasse —é um suposto!— polo nome de silicoño. Seria, entom, possível que umha comissom lexicográfica da Real Academia Espanhola, autorizada polo Governo de Castela, aproveitando comodamente esses neologismos da língua alheia dominadora, propugesse e impugesse aos cidadaos castelhanos os neologismos el culo, para designar essa letra do alfabeto, e el silicoño, para designar essa família de substáncias orgánicas?» / Benito: «Ah, ah! O que dis, Bieito? Estás de brincadeira? Isso seria impossível, porque em castelhano —e como é possível que o ignores?— culo e coño som vozes grosseiras que denotam, respetivamente, o ánus ou as nádegas e a vulva da mulher. Tal seria indecente, indigno, constituiria um escándalo, e esses académicos seriam alvo de merecidas campanhas públicas de irrisom e de escárnio, e a correspondente Academia ficaria completamente desautorizada. O que propós que imagine é, portanto, cousa verdadeiramente contrafactual!» Facto: A Real Academia Galega, até 2003, propujo designarmos em galego a letra quê (denominaçom, esta, bem habilitada em coordenaçom com o luso-brasileiro) como o cu, e ainda hoje propom designarmos em galego um tipo de substáncias orgánicas como a silicona!! (Em bom galego, de harmonia com o luso-brasileiro, o silicone).

 

Sería possível que umha comissom lexicográfica da Real Academia Espanhola propugesse e impugesse aos cidadaos castelhanos os neologismos el culo, para designar essa letra do alfabeto, e el silicoño, para designar essa família de substáncias orgánicas?

 

–273,15 °C [leia-se «zero absoluto»]. Bieito: «Imagina, amigo Benito, que, por causas históricas e políticas, a partir do século XVI a língua castelhana ou espanhola tivesse sido deslocada, postergada, social e culturalmente em Castela por parte de umha outra língua alheia e, portanto, que, desde entom, em castelhano nom tivessem surgido neologismos, palavras novas. Seria, entom, possível que, agora, umha comissom lexicográfica da Real Academia Espanhola, autorizada polo Governo de Castela, cunhasse, mediante audaz invençom, nalgum laboratório lingüístico financiado polos cidadaos castelhanos, para designar umha série de conceitos próprios do ámbito artístico ou informático, as soluçons el icoño e el emoticoño/ Benito: «Ah, ah! O que dis, Bieito? Estás de brincadeira? Isso seria impossível, porque em castelhano —e como é possível que o ignores?— el coño é voz grosseira que denota a vulva da mulher. Tal seria indecente, indigno, constituiria um escándalo, e esses académicos e esses governantes seriam alvo de merecidas campanhas públicas de irrisom e de escárnio, e a correspondente Academia ficaria completamente desautorizada. O que propós que imagine é, portanto, cousa verdadeiramente contrafactual!» Facto: A Real Academia Galega, em vez de recorrer à natural, coerente e económica coordenaçom lexical com o luso-brasileiro, e, portanto, em vez de promover em galego o uso dos neologismos o ícone e o emotícone, eufónicos e plenamente funcionais, preferiu cunhar, mediante autista, gratuita e desavergonhada invençom, realizada em «laboratórios lingüísticos» financiados polos cidadaos galegos, os vocábulos a icona e a emoticona!! E há galegos cultos que os estám a utilizar!!

 

P.S.1: No galego-português de Portugal tamém existe, naturalmente, a palavra grosseira cona e, por isso, o veículo utilitário desportivo originalmente designado por Hyundai Kona é comercializado em Portugal sob o nome de Hyundai Kauai (o Kauai é a ilha ocidental do arquipélago do Havai).

 

P.S.2: Nesta altura, na Wikipédia, os artigos dedicados ao Hyundai Kauai que explicam a indispensável mudança de nome que o carro sofreu em Portugal som os escritos em inglês, em alemám e, naturalmente, em galego-português luso-brasileiro, mas nom o redigido em espanhol, o qual, de modo assaz significativo, omite essa informaçom!

 

P.S.3: Quem nom pensa em galego na Galiza? Em que língua pensam em Portugal e no Brasil?

 



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