Depois de uns meses de funcionamento, pode-se dizer que o Álvaro Cunqueiro superou todas as expectativas do desastre.


Depois de uns meses de funcionamento, pode-se dizer que o Álvaro Cunqueiro superou todas as expectativas do desastre. Sabíamos que ia a ter problemas, que não estava preparado para dar cabida a todas as necessidades dos usuários (que não são poucas). Mas com o surdear habitual do governo e a sua teima autocrática de fazer o que lhe peta, aí o temos, o grande edifício que pode ser qualquer coisa menos um hospital. Ora bem, as deficiências não se podem mascarar durante muito tempo e rebentam pelas fendas fracas do imóvel.

Todos os dias acontece algo que deixa em evidencia a nefasta construção da mole, que nesta altura, faz aguas por todos lados. A celeridade em finaliza-lo a lume de caroço, foram quem de romper os precintos de seguridade e a possibilidade duma hecatombe faz-se tão patente, que o facto de entrar nesse centro com uma doença acada os perigos mais inesperados e sentes uma apreensão que che aperta a gorja, como se estivesses a viver em carne própria a cena dum filme de terror.

Desde a sua inauguração, o quadro de pessoal do hospital insiste em denunciar as suas múltiplas carencias, que lhe impedem desempenhar bem o seu trabalho. Ainda que o seu serviço é impecável lhes superam as falhas: Inundações de águas fecais, teitos que caem, ratos e cascudas passeando pelos corredores, gavetas...

O facto de entrar nesse centro com uma doença acada os perigos mais inesperados e sentes uma apreensão que che aperta a gorja

Há um aparcamento de pago coordenado desde Madrid, com preços abusivos, tendo em conta que estamos a falar dum complexo hospitalário. A comida é muito deficiente, e às vezes com inclusão de visitantes não desejados: fria, gelada, crua... as bandejas para o seu reparto são inadequadas. A robótica aparece como a alternativa perfeita para substituir a empregados despedidos pelos recortes.

Os equipamentos radiológicos são insuficientes para um serviço de urgencias, sendo preciso fazer as ressonâncias num camião, que se encontra aparcado no exterior do hospital para esses menesteres. (como dizia Loquillo: Yo para ser feliz quiero un camión). As longas esperas deste serviço são até de 12 horas. Carece dum laboratório central, só tem um de resposta urgente.

Ademais doutras incidências, também houve que suspender intervenções cirúrgicas, bem por falta de material cirúrgico, ou porque não estivera devidamente esterilizado. Vários profissionais decidiram demitir porque uma crescente sensação de impotência e vergonha adonou-se deles, por não conseguir atender as longas ringleiras de enfermos de forma adequada, pois a precariedade e escasseza de médios era tão grande, que lhes impossibilitava que o serviço fosse realizado de forma ótima.

houve que suspender intervenções cirúrgicas, bem por falta de material cirúrgico, ou porque não estivera devidamente esterilizado

Esta era uma realidade previsível desde o momento que foram pechados os demais hospitais e foram derivados os pacientes ao Álvaro Cunqueiro, numa decisão imcompreensível e prepotente da Xunta.

Pouco tempo antes de começar a funcionar o hospital rolou pelas redes e os meios de informação, um vídeo que ensinava o interior, e vi para o meu assombro só quatro ou cinco camas no interior do recinto, assignado para a diálise.

Para que o colosso começara a sua trajetória, segundo os entendidos, semelhava imprescindível que outros centros deixaram de existir, pois diziam que a nova construção possuía de tudo, que podia cobrir todas as necessidades, a pesar da reduzida quantidade de camas que ficava muito mais pequena, fronte ao número que asseguravam que ia ter num princípio. Em fim, são uns carotas!

Nesta altura já se viu que não é viável para o seu ótimo funcionamento. Contudo os culpáveis deste desastre, insistem e persistem em que tudo vai bem e continuam nas suas intenções de privatização da sanidade. Este, por desgraça é o começo do fim da Sanidade Publica.

Os culpáveis deste desastre, insistem e persistem em que tudo vai bem e continuam nas suas intenções de privatização da sanidade

Muitas perguntas assaltaram as nossas cabeças, desde a apertura dele, e o mais significativo é o facto de que para que ele nascera, deveram fechar serviços no: Geral, Nicolás Penha, Meixoeiro, Centros de atenção primária: Bolivia, Doblada...

E conseguiram abrir a pesar das concentrações e manifestações dos cidadãos, que ainda hoje seguimos saindo à rua em continuas protestas contra a continuidade do detrimento dos nossos direitos como usuários, que nos obriga a acatar as decisões de uns senhores que só cuidam os seus interesses, para os que a privacidade é o mais importante.

A gestão privada é um facto, e isso nota-se ademais no tema do transporte. Para o Cunqueiro, Vitrasa tem um serviço de segunda a domingo, com horários adequados para trabalhar de amanhã, algo do que ainda carece o hospital do Meixoeiro. Ainda neste momento, os domingos e feriados, não possuem autocarro para deslocar-se ao centro de trabalho em quenda de amanhã. Estranho, mas é certo. Infinidade de vezes, e durante tantos anos, os cidadãos afetados fizeram protestas para que a empresa de transportes adicionara os domingos e feriados uma linha de autocarros para a primeira hora da amanhã, não obstante, os esforços não conseguiram nenhum resultado à favor desta opção, e as pessoas que dependem da linha de autocarros, seguem a ter problemas para poder achegar-se ao seu centro de trabalho os feriados em turno de amanhã.

Assim que, todas as nossas lutas anteriores e posteriores não conseguiram parar este avance cara o desastre. A nossa segue a ser uma sensação de desilusão, que cresce a medida que as nossas petições são guindadas ao lixo e os nossos desejos são intercetados pelo duro valado do sistema capitalista.



x