Cada concentração que fazemos contra a violência machista traz à nossa mente o medo, a sensação de inseguridade que vivemos, unicamente pelo facto de ser mulheres. Hoje [no momento em que o artigo foi escrito, na primeira quinzena do mes de abril] a vida de outra congénere foi segada. E assim, dia-a-dia observamos as mortes com a impotência embebida no nosso pranto. Resulta difícil de entender que nesta altura ainda não haja um remédio para erradicar o terrorismo que nos assovalha e nos sacrifica. Chegamos a um grau tão elevado de criminalidade que semelha não haver um lugar seguro, sem risco, nesta sociedade sempiterna machista, na que homens cada vez mais jovens acolhem a doutrina da falocracia. 

Para esse estrato da sociedade machista e misógina, que pretende parapeitar-nos sob  o jugo da culpabilidade, seguimos a viver baixo os preconceitos duma dupla moralidade. Não querem compreender que nós somos as vítimas,  ou não lhes interessa entender.

Pessoas supostamente inteligentes que trabalham em diferentes estratos sociais,  procuram motivos desnorteados para responsabilizar  à própria vítima. Para esta gente não há limites,    possuem um comportamento ilógico.

A violência segue a crescer, morremos, e ninguém faz nada. Semelha que seguimos a ser a cabeça de turco contra a que se pode bater, esmagar sem apenas um castigo. Nesta sociedade na que supostamente existe a justiça, mas quando realmente é necessária, vital, encontramo-nos com o gelo da sua inexistência, ou bem, com uma medição deliberada em contra da vítima.  Tratam-nos como pessoas de segunda classe. 

A violência segue a crescer, morremos, e ninguém faz nada. Semelha que seguimos a ser a cabeça de turco contra a que se pode bater, esmagar sem apenas um castigo

É tão grave a criminalidade que estamos a padecer, que os pensamentos tornam-se pessimistas de mais e a credibilidade nas medidas do governo minguam. Os interrogantes manifestam-se sem-fim, porque nos arrancam a vida e não divisamos uma solução que o impeça. 

A cotio espertamos com o acedo sabor a desesperança, impregnado no caixilho de impressão e enfraquecemos nas escuras passagens duma transição que se afigura impossível.

E o governo representativo, onde está, que procedimentos põe em prática para findar o terrorismo?

A sensação é que vivemos numa cena dum perpétuo  thriller psicológico. Intentamos alcançar o remate do suplício, anelamos o seu final, a visão maravilhosa da luz, mas não procuramos o jeito, cada dia nos surpreende a fatalidade duma nova vítima, e fere-nos, pendurada na menina dos nossos horrorizados olhos. A  visão horrível do sangue derramado dos inocentes. Crianças assassinados pelo seu progenitor como vingança contra a mãe e este é um caso que por desgraça acontece em demasia. Horrífico facto, o incompreensível massacre dos víndices.



x