Se para algo pode estar a servir a popular serie dos “Jogos de Tronos”, é se calhar, para que muitos de nós tomemos consciência da importância da geografia na política. Também mostra-nos um mundo autocrático, onde o poder não é controlado mais que pelas elites governantes e onde à democracia fica em aguas de bacalhau.

 

Com certeza, estes são dois fatores fundamentais na nova ordem mundial que está a nascer nesta fim de segunda década do S. XXI. A geografia política e o poder autocrático semelham ser para já, os dois fatores decisivos nesta nova ordem mundial que está a emergir. Uma geografia política que retoma velhos conceitos como o de “heartland” do Mackinder ou o do “navalismo” de Maham.

 

Nestas, a China é que respondeu a seu chamamento a ser a nova potencia hegemónica mundial, desta nova ordem política mundial, que desafia à ordem liberal e democrática que aparecia como dominante após a queda do bloco soviético e exerce o seu redesenho desordenando a atual ordem existente. A estratégia do grupo de Xangai funciona como um novo bloco de poder mundial liderado pela China; um bloco no que tem uma grande relevância o seu poder militar com a Rússia e o seu antigo poder nuclear e a China a fazer um grande esforço por renovar e atualizar as suas forças armadas.

 

A China é que respondeu a seu chamamento a ser a nova potencia hegemónica mundial, desta nova ordem política mundial

 

Mas como nos “Jogos dos Tronos”, podemos chegar a essa similitude com uma das frases que fixam a temporalidade da geografia e do poder político e dizer que “the winter is coming”. Quer isto dizer que a nova ordem mundial está a chegar precipitada a través de acontecimentos como o Brexit ou o trumpismo ou conflitos regionais como o da península da Coreia, a guerra da Síria ou as revoluções de cores desde a “revolução laranja” na Ucrânia até as revoluções do mundo árabe, ou a instabilidade política na Venezuela, nas portas do que podemos dar em chamar o “mediterrâneo americano”; o mar das Caraíbas; acontecimentos todos onde os EUA, de cada vez, perdem relevância e força como ator principal.

 

Estamos no trânsito da “pax americana” a uma “pax sinica” o que supõe também o trânsito de um mundo na base de um modelo democrático e liberal a um mundo autocrático e um cambio na geografia política do atual atlantismo a um mundo muito mais asiático. O avanço chinês prolonga em base a duas estratégias:

 

A primeira, à estratégia da nova rota da seda e do OBOR, refere a essa conquista do “heartland” onde estão aproximadamente o 75% das matérias primas do planeta. Com esta fixa o seu poder terrestre.

 

Estamos no trânsito da “pax americana” a uma “pax sinica” o que supõe também o trânsito de um mundo na base de um modelo democrático e liberal a um mundo autocrático

 

A segunda, a viragem cara o oceano Índico do poder naval, até agora centrado no controlo do Atlântico. Um navalismo onde a primeira das batalhas já é a do mar da China Meridional, clave na expansão cara a África e a Europa da China continental e onde é que fica sujeito o controlo marítimo das rotas entre uma China asiática e uma Rússia voltada sobre Europa. Com esta fixa o seu poder naval.

 

Uma nova geografia onde Rússia procura uma volta à sua época imperial, a través do neo-tzarismo e uma aliança estratégia com a China; uma Rússia que pretende influencia de Lisboa a Vladivostok e uma China, que a través do neo-confucionismo, expande até o mar Vermelho e o Mar Negro a sua esfera de domínio global.

 

Neste plano assistimos à criação de sociedades mais e mais desiguais, onde o populismo e o nacionalismo servem de novos valores políticos sobre os que as novas elites mantêm e sustentam o seu poder. A China, neste contexto, ergue como a maior ditadura da historia com aspirações a ser a potencia líder mundial.

 



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