Numa reflexão de urgencia (dous términos antitéticos) perante o discurso do Borbón, ainda que tal vez ja obsoleta quando se publique este artigo, não podo esquecer a imagen dos outros dous Borbons tambem chamados Felipe. Há pouco publicava um comentario referido á historiografía catalana, com suas épocas de soberanía e seu constante batalhar contra Castela/Espanha quando se viu sometida; sempre subjugada polo estrangeiro, em 1412 com a chegada da Casa de Trastámara (castelhana) ao Reino de Aragóm e Principat de Catalunya (duas entidades independente ainda que baixo uma mesma dinastia pactada que, curiosamente, era a Casa de Barcelona); em 1521, com a Casa de Austria nos seus estertores, com Felipe IV, asedia Barcelona por mais de quince meses e nomea virrei de Catalunya o seu filho bastardo dom Juan de Austria; e depois, no 1.700, continua com a sangrenta arribada  da dinastía francesa dos Borbons.

 

Resulta curioso que, segundo nos conta a historia,  a imposição por parte de Felipe IV de alojamento forzoso para seus soldados no caminho das suas tropas cara Barcelona  e os abusos sobre os prisionerios que forom colhendo, determinaron aos catalans a opor uma maior resistência. Poderiamos comparar, ainda admitindo as diferenças de tempo e circunstancias, com as atitudes actuais de detenções de cidadãos catalanistas e os problemas de acomodo da polizia invasora. Felipe IV,  como dono de um “cortijo”. reparte com França a metade, ao norde dos Pirineus, de Catalunya. Podemos falar sem exagero de felonía. Confiemos em que agora, para asegurarse o beneplácito de França (tal vez temerosa do contagio no Roselhom), não se renuncie a mais direitos catalans.

 

Com a Casa de Austria nos seus estertores, com Felipe IV, asedia Barcelona por mais de quince meses e nomea virrei de Catalunya o seu filho bastardo dom Juan de Austria

 

Seguindo com as similitudes, chega a dinastía francesa dos Borbons e o primeiro Felipe, o V, manda seu exército, chefiado por um general francés, contra Barcelona e num despiedado asalto ocasiona centos de mortos e destrui um terço da cidade; sem posibilidades os sitiados barceloneses só condicionavam, inútilmente, sua rendição a que se respeitasem os seus foros; nem foi considerada a questão pelo chefe das tropas invasoras e ainda o rei dita o Decreto de Nova Planta abolindo as instituições e liberdades catalanas.

 

Naquele meu artigo anterior sobre a historia de Catalunya deixava já na sospeita o que ia pasar com o novo Felipe, o VI.

 

Pois já vemos.

 

Uma vez mais, Catalunya é invadida. As imagens que pudemos visionar, moreas de furgons da Policia em uma longa fileira flanqueados por policías a pé, podía trazernos à memoria a coidadosa escenificação que temos visto no cinema das SS em plena marcha polas cidades ocupadas. O exército invasor, neste caso polizia militarizada, actuou de jeito parecido ao exército de Felipe IV. Como com Felipe V o povo barcelonés só solicita que o deixem exercer seus direitos cívicos, mas sem piedade denegam tal direito, impedem o exerciço e malham nele. O povo catalán enfronta urnas contra furgons militarizados, enfronta actitude pacífica contra violência invasora. Centos de feridos, moreas de detidos,  agresions, uso de pelotas de borracha (proibidas) e danos da polizia ou das forzas represoras contra colegios e locais onde se pretendía exercer o democrático direito a votar.

 

A monarquia borbónica imposta por Franco não vai á zaga da monarquia borbónica imposta polo rei de França Luis XIV, ambas da mesma dinastía. Falamos dos Felipes por aquelo da coincidencia, mas poderiamos falar igualmente dos Carlos e dos Fernandos ou incluso dos Alfonsos. Nengum Borbón tivo gestos de afecto com Catalunya, nengum Borbon foi satisfactorio para o reino de Espanha pois se repasamos a historia de cada um deles observaremos como desde liquidar o imperio colonial (em guerra cruenta com as colonias, não por um projecto descolonizador e liberador), desatendendo no interior a economia e o ensino, a sumisão covarde a Napoleón e o desagradecemento ao povo que lhes devolveu o trono. até a sua política no norde de Africa, o abandono totalmente desleal dos últimos de Filipinas ou o desamparo pérfido do Sahara.

 

Agora o Primeiro Ministro de Felipe VI também, como no seu tempo o Conde-duque de Olivares com Felipe IV, decide invadir Catalunya, ainda que o faga mais sutilmente com envio de polizia militarizada e  tambem forzas do exército que reforzam ou colaboram com as policiais. As medidas actualmente tomadas e pendentes de tomar não som as mais tranquilizadoras nem servem para apaciguar o sentimento catalanista. O primeiro Felipe dos Borbons, o V, dita instruções sobre o trato que o exército invasor deveria dar aos catalans  “que se merecen ser sometidos al máximo rigor según las leyes de la guerra para que sirva de ejemplo para todos mis otros súbditos que a semejanza suya persisten en la rebelión... todos los rebeldes deben ser pasado a cuchillo”. Claro que sem ser um Felipe, senão um Alfonso, o XIII (sempre Borbons), a represão na Semana Trágica foi sangrenta, brutal, despiedada e injusta.

 

Primeiro Ministro de Felipe VI também, como no seu tempo o Conde-duque de Olivares com Felipe IV, decide invadir Catalunya

 

Agora o novo Felipe já imos vendo pola senda que caminha, de reforzo a seu Primeiro Ministro e seu governo, amparando a toda a caverna franquista e nacional-espanhola que justificam a invassão e o emprego da forza, as intervenções judiciais, as imputações, multas e confiscações, tenhem de seu lado uma imprensa sumisa, empregam os latiguilhos de sempre: de manipulação dos nenos, sem que em nengúm tempo reconhezeram a manipulação religiosa permanente da infancia e juventude, o apelo á democracía quando som eles os que impedem a um povo votar democráticamente, o acoso á polizia quando é essa polizia a que agrede, ocasiona mais de 900 feridos e destroza bens públicos, que califica de dubidosa a polizia autonómica porque não maltrata e lesiona á gente que acude a votar pacifica e democráticamente em exercício de seu direito e facilitando tambem que o exerzam os demais. Se o discurso de Rajoy foi frustrante, muito mais o deste Felipe, o VI, que acusa ao Govern de deslealdade quando nem a monarquia espanhola nem seus políticos podem presumir de lealdades, que alenta aos “legítimos poderes del Estado” a manter a represão pois não critica o uso excesivo da forza sobre pessoas que só oponhem maos abertas e papeletas de votação a todo o armamento agresor que portam as forzas represoras, que apela ao “deseo de millones y millones de españoles de convivir en paz y en libertad” ao tempo que ignora os milhões que sairom as ruas pola sua liberdade e justifica que se impida aos catalans a votar livremente sobre seu futuro (tal vez não os considera cidadãos senom súbditos), que fala de compromiso da coroa com a democracia quando seu status nasce da vontade de Franco e ainda ninguem o votou nem se someteu ao confronto eleitoral como qualquera que pretenda representar a uma comunidade, que invoque seu “compromiso como Rei con la unidad y la permanencia de España” com despreço da vontade dos cidadãos; insisto, como rei cré que tem subditos.

 

Os demócratas soberanistas catalans, na defesa da sua nação, estám asumindo riscos que não correm nem o rei (inviolavel) nem o aparelho do Estado, que envia todas suas instituições a reprimir as arelas de liberdade de um povo, utilizando não só o poder da forza que tambem a enganosa opinião pública do resto do Estado, sempre recelosa da dignidade e pujante economia catalanas. Manter forzosamente atada Catalunya ao Estado espanhol não parece a solução nem mais acaida nem de futuro. Botarom acima as forzas represivas; agora o aparelho judicial que já comenzou com multas (a Mas e outros políticos) e seguirá com encarceramentos. Se em Allariz, quando a revolta popular contra o Alcalde do PP, com uma Fiscalia e um Xulgado claramente influenciados polo PP, os que encabezavam a protesta forom acusados de “sedición” e imediatamente detidos e encarcerados, até que a Sala de Audiencia provincial, integrada por tres magistrados sensatos, reconduziu o problema ditando absoluções, que vai pasar agora com os catalans? Daquelas tambem se augurava a catástrofe para Allaríz se os revoltados alcanzavam o governo municipal, e o tempo tem amplamente demostrado que de ser uma vila e concelho chamados a morrer não só reviveu e ainda pasou a ser ejemplo no ámbito municipal galego.

 

Os demócratas soberanistas catalans, na defesa da sua nação, estám asumindo riscos que não correm nem o rei (inviolavel) nem o aparelho do Estado

 

Tambem no tempo de Felipe V intervirom as diferentes nações europeias no conflito com Catalunya. Mas daquela, como agora, houvo promesas, traições e acomodos... sempre em interese da cada um, nunca em interese de Catalunya. Hoje vemos claramente como o ideal de uma Europa dos povos deu paso totalmente a uma Europa das nações ou mais bem dos Estados, concertados para impedir arelas autonomistas ou soberanas dentro de suas fronteiras, na que seguem como dominantes Alemania (foi o Imperio Austro-hungaro) e França, excluida neste momento a Grão Bretanha. Pouco podemos esperar da União europeia. E mentras o Sr. Rajoy ao fronte do PP cede competências e soberania por acima á União europeia, recusa outorgar qualquera posibilidade dentro do ámbito interno. Ainda pior, perpetrando uma recentralização.

 

Quinta do Limoeiro, setembro de 2.017



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