ANTÓNIO ZAMBUJO, MÚSICO

“Do Avesso' é um disco muito cinematográfico, prestamos muita atenção às bandas sonoras dos filmes”

“Do Avesso' é um disco muito cinematográfico, prestamos muita atenção às bandas sonoras dos filmes”
O cantor portugués António Zambujo. Foto: Mariana Silva.
O cantor portugués António Zambujo. Foto: Mariana Silva.  

Do Avesso é o novo trabalho de António Zambujo, uma das referências mais internacionais da música portuguesa. Galiza foi uma das primeiras paragens na gira de apresentação deste novo disco. Uma fusão de ritmos partindo do cante alentejano e o fado surpreenderam a um entregue público durante o seu concerto em Vigo. Sermos Galiza conversa com António Zambujo com motivo da sua estadia no nosso país.
 


O cantor português António Zambujo volta surpreender com o seu novo trabalho musical, Do Avesso, onde inclui novidades nos ritmos que envolvem o seu fado contemporâneo e até conta com o acompanhamento da Orquestra Sinfónica de Lisboa. Zambujo, que nasceu em Beja em 1975 rodeado desde pequenino pelo cante alentejano e o fado, é na atualidade uma das referências mais internacionais da música portuguesa e grande conhecedor da música galega. Vem de atuar de novo  ante um público entregado no Auditório Mar de Vigo. Conversamos com ele com motivo da sua visita à Galiza.


A sua música parte da infância, rodeado do cante alentejano e depois do fado, unindo também as conexões com a música galega e os ritmos do Brasil. Em cada disco surpreende com novos ritmos e influências. Desta volta, o seu novo trabalho incorpora desde uma das maiores orquestras sinfónicas como é a de Lisboa  até versões do artista Jorge Drexler. Partilha o parecer da crítica que valora a sua criação como uma constante evolução?

A minha criação é uma fusão, já que o natural é que toda a coisa tenda a mudar e mude. As músicas novas que vou ouvindo, os discos novos que compro.... tudo o que escuto vai somando e a música que vamos fazendo vai crescendo com novas influências e enriquecendo-se de novas referências.

Do Avesso é o primeiro trabalho que grava em estúdio junto a uma orquestra, e fá-lo com a Sinfónica de Lisboa. Como foi a experiência?

Nós já tínhamos tocado ao vivo com orquestra, mas ainda não graváramos com nenhuma em estúdio. Isto foi diferente, porque é bem mais íntimo e técnico. Foi uma experiência muito formosa.

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Que outras novidades encontramos em Do Avesso?


Neste novo trabalho temos um som mais pop. Nós ouvimos muitos discos dos Beatles, dos Rolling Stones, dos Beach Boys e as letras das novas canções vão nessa linha, pois contamos histórias do dia a dia, do quotidiano. Ademais introduzimos neste trabalho coros e guitarras elétricas que achegam um tipo de sonoridade diferente. Diria que é um disco muito cinematográfico, prestamos muita atenção às bandas sonoras dos filmes.

Quais são esses filmes que o influenciam?

Por exemplo a razão de que o tema Amapola apareça neste disco está no filme Onze upon a time in America de Sergio Leone, cuja banda sonora passou à história com o tema da Amapola (composto por Ennio Morricone). Ademais, nas composições que faço lembro muito os filmes de Tarantino, que é um dos realizadores que mais cuida as bandas sonoras de suas obras, e, certamente, de Stanley Kubrick que dá uma importância muito grande aos sons das orquestras.

Como percebe que está a ser recebido pelo público o seu novo trabalho?


Levamos pouco tempo com este trabalho.  Ainda não demos muitos concertos, mas tivemos a sorte de ter um público que nos recebe sempre de forma calorosa e que nos anima a seguir atuando.

Portugal é fado, é cante alentejano, é cultura popular... Como está a situação da música tradicional?


A situação da música em geral é muito boa em Portugal. Cada vez há mais grupos, maior oferta musical variada e diferentes estilos, e sobretudo, muito público que demanda música.


Caetano Veloso disse de você que é uma referência da música portuguesa a nível mundial. Tem a consciência de ser um autêntico embaixador da cultura e da música portuguesas?

Não, eu só sou uma pessoa que gosta de cantar. Fico muito contente quando tenho oportunidade de atuar em muitos lugares,  tanto dentro como fora de Portugal.

Eu conheço a música galega graças a Uxía. Há anos que toquei com ela na Galiza pela primeira vez, foi com Cantos da Maré

É conhecedor da música galega, tem atuado com Budiño, Uxía, Narf... como valora a música galega? Que significa atuar com tantas vozes de aquém Minho?

Eu conheço a música galega graças a Uxía. Há anos que toquei com ela na Galiza pela primeira vez, foi com Cantos da Maré e depois fizemos atuações em conjunto aqui, em Portugal e até nos Estados Unidos, onde partilhamos um concerto com Narf. O certo é que as pessoas que conheço na Galiza estão muito interessadas na música tradicional portuguesa.

E como descobriu a Galiza?


Eu conhecia a Galiza de vir como turista em várias ocasiões, mas foi através de Uxía e de amigos que junto a ela fiz aqui como o Carlos Blanco, a gente das Crechas e do Restaurante 16 [em Compostela] que fui conhecendo muitos mais aspetos da cultura galega.

Que é a Galiza para você? E a sua musica e língua?


Eu acho que os portugueses acabamos sempre por imaginar a Galiza como uma extensão de Portugal, e acho que também os galegos sentem um bocadinho isso. Existe uma ligação muito grande em multidão de aspetos que vão desde o cultural ao culinário ou mesmo à ligação com o mar. Galiza e Portugal têm muitas ligações.

Nota: António Zambujo nunha foto de Mariana Silva.