FOI CONCEDIDA AO REPÓRTER JÚLIO LERNER 10 MESES ANTES DE MORRER

O FOLIO recupera a última entrevista de Clarice Lispector

O FOLIO recupera a última entrevista de Clarice Lispector
Clarice Lispector. Foto: Wikipedia.
Clarice Lispector. Foto: Wikipedia.  Wikipedia

Depois de gravada, Clarice pediu que a entrevista só fosse divulgada após sua morte. Foi ao ar dez meses depois. Clarice morreu em dezembro de 1977, aos 57 anos.



Finalizou o FOLIO. E isso é? Um grande festival onde poesia, prosa e música se fundem até se confundirem. Mais de 30 mil visitantes afluíram à primeira edição do Festival Literário Internacional de Óbidos -vila portuguesa na região centro do país- que encerrou no domingo 25, após 11 dias repleto de inúmeros eventos

Mas, o que é o FOLIO? Já o diz o manifesto que o promove: “O Folio é o projeto – e a marca – mais importante para uma terra que escolhe a Literatura e os livros como bandeira. Uma terra que pelas suas características e história únicas é, ela própria, também um best seller”

Autores portugueses e estrangeiros, alguns “nomes maiores da literatura mundial” coincidiram nestes 11 dias de outubro em que o verbo “literar” enche páginas de livros e as ruas de Óbidos com música, teatro, performance, cinema, tertúlias, mesas redondas e exposições”

Nesta primeira edição, o FOLIO recebeu 459 criadores, 200 autores, 154 sessões literárias, 56 ilustradores, 37 conferências, 36 espetáculos, 14 exposições, 13 livrarias, etc. e mais de 30 mil visitantes que afluíram a Óbidos. “Uma aposta corajosa, ambiciosa, mas indubitavelmente ganha por todos aqueles que acreditaram na afirmação de Óbidos, como Vila Literária", afirmam desde a organização.

No site de  FOLIO pode-se ver o programa completo. Especialmente bem cuidado foi o concerto inaugural de homenagem a Vinícius de Moraes por conta das cantoras Miúcha (irmã de Chico Buarque) e Georgiana de Moraes (filha de Vinícius) e especialmente interessantes as aulas de literatura. 

Delas elejo uma, a celebrada o domingo 25. É a última entrevista com Clarice Lispector, concedida em 1977, ao repórter Júlio Lerner, da TV Cultura. Depois de gravada, Clarice pediu que a entrevista só fosse divulgada após sua morte. Foi ao ar dez meses depois. Clarice morreu em dezembro de 1977, aos 57 anos.

Clarice Lispector, de onde veio esse Lispector?
É um nome latino, não é? Eu perguntei a meu pai desde quando havia Lispector na Ucrânia. Ele disse que há gerações e gerações anteriores. Eu suponho que o nome foi rolando, rolando, rolando, perdendo algumas sílabas e foi formando outra coisa que parece “Lis” e “peito”, em latim. É um nome que quando escrevi meu primeiro livro, Sérgio Milliet (eu era completamente desconhecida, é claro) diz assim: “Essa escritora de nome desagradável, certamente um pseudônimo…”. Não era, era meu nome mesmo.

Você chegou a conhecer o Sérgio Milliet pessoalmente?
Nunca. Porque eu publiquei o meu livro e fui embora do Brasil, porque eu me casei com um diplomata brasileiro, de modo que não conheci as pessoas que escreveram sobre mim.

Clarice, seu pai fazia o que profissionalmente?
Representações de firmas, coisas assim. Quando ele, na verdade, dava era para coisas do espírito.

Há alguém na família Lispector que chegou a escrever alguma coisa?
Eu soube ultimamente, para minha enorme surpresa, que minha mãe escrevia. Não publicava, mas escrevia. Eu tenho uma irmã, Elisa Lispector, que escreve romances. E tenho outra irmã, chamada Tânia Kaufman, que escreve livros técnicos.

Você chegou a ler as coisas que sua mãe escreveu?
Não, eu soube há poucos meses. Soube através de uma tia: “Sabe que sua mãe fazia um diário e escrevia poesias?” Eu fiquei boba…

A entrevista completa pode lerse em  A Última entrevista de Clarice Lispector

E o vídeo pode verse aqui: