A Ilha dos Galegos em Maputo, por Xoán Costa

A Ilha dos Galegos em Maputo, por Xoán Costa
Ilha dos galegos en Maputo
Ilha dos galegos en Maputo  

Conta Marina Tavares Dias, no seu livro Lisboa desaparecida, que nos começos do século dezanove,  e aínda já bem entrado o mil e oito centos, Portugal acolhia da ordem de oitenta mil galegos, boa parte a trabalharem em Lisboa, uns como aguadeiros ou pedreiros e os outros, muitos outros,  a abrirem cantinas para comer e beber ginjinha ou a trazerem recados e papelzinhos amorosos.


O conhecimento da cidade e, possivelmente a discrição (qualidade de discreto) bem paga, fizeram deles, dos galegos,  elemento imprescindível para entregar encomendas ou bilhetes amorosos. Tanta foi a participação nestes assuntos do coração  que precisavam esconderem-se das iras paternas, ou de maridos desconfiantes e receosos,  que se fez popular o dito de que “um amor sem galego era um amor sem pés”.

Sen titulo

Do Rossio à Arcada, na Baixa ou no Chiado, por toda a parte estavam os galegos. Alí, no Chiado, mesmo havia un largo conhecido por "Ilha dos Galegos".

Hoje o Chiado já não tem ilha nem tem galegos mas se de Lisboa seguirmos a rota de Vasco da Gama até  Maputo e retrocedermos, assim sem mais,  aos anos cinquenta do século XX, acharíamos uma pequena praça, ponto de reunião da estudantada, de idosos reformados e ponto de passagem de quem ia para a praia da Polana tal como nos conta Virgínia Cabral em Memórias Ultramarinas.

Em Maputo, com a desaparição dos eléctricos também desapareceu a Ilha dos Galegos, na confluência da Av. Julius Nyerere e a Av. 24 de Julho. Mas alguma outra coisa há de haver que lembre o passado, ou o presente, pois os galegos continuamos na Galiza e, de seguir tanta borrasca a entrar pelas rias, a Galiza vai virar em ilha, a ilha das galegas e dos galegos.