GILBERTO GIL, MÚSICO

"Não dá para fugir da vida e não deixa-la invadir sua música"

"Não dá para fugir da vida e não deixa-la invadir sua música"
Imaxe promocional de Gilberto Gil. Foto: cedida.
Imaxe promocional de Gilberto Gil. Foto: cedida.  

É um dos mitos da Música Popular Brasileira (MPB). Tropicalista de primeira hora, depois exilado em Londres, entusiasta das músicas da diáspora africana que foi incorporando á sua muito extensa obra discográfica, Gilberto Gil (Bahia, 1942) segue activo. O 16 de julho estará no Auditorio do Mar de Vigo para defender a sua última gravação, Ok ok ok (2018) e repasar algumas faixas já lendárias do seu repertório. Responde às perguntas de Sermos Galiza via correio electrónico.


Como é possível continuar a oferecer concertos e gravar discos após mais de meio século em ativo? De onde é que vem essa motivação?

Todas as atividades continuam a ser prazerosas para mim e assim... Eu sigo gravando e fazendo shows até quando tiver energia e vontade.

Que diferença principal diria você que existe entre fazer música aos 75 anos e fazê-la aos 25, quando registou o seu primeiro LP, Louvação?

A diferença é apenas a maturidade que vem com o tempo. Mas a alegria segue a mesma.

A alegria de fazer música aos 75 anos segue a mesma que aos 25

O seu último trabalho celebra a vida após ter atravessado um momento de fragilidade. Age a música para você como uma terapia?

Acho que a música serve para muitas coisas inclusive como terapia. Parece que depois de meu periodo hospitalar, me veio uma volupia que compus muitas músicas, entre elas todas as de Ok ok ok, e inclusive para Roberta Sá, que fez um disco giro só com canções minhas.

De que jeito a sua música é autobiográfica?

Não dá para fugir da vida e não deixa-la invadir sua música. Assim creio que todos os compositores sejam bastante autobiograficos em suas músicas, assim como escritores em seus livros, pintores em suas telas.

A sua obra é uma amostra da influência negro-africana no Brasil. Incorporou o samba, o reggae, o afrobeat, o funk, o disco. Agora que os discursos racistas voltam a ter poder e audiência no seu país, como deve reagir perante eles a música?

Deve manter suas ideias muito claras sobretudo em periodos difíceis como o nosso agora.

Os discos a dois vozes -com Caetano Veloso, com Jorge Ben, com Milton Nascimento- caracterizam a sua trajetória. Com quem teria gostado de gravar mais um?

Com Bob Marley.

[Teria-me gustado gravar um disco] com Bob Marley

O concerto de Vigo não será nem muito menos o primeiro que dê em Galiza. Lembra algo em especial de suas anteriores visitas?

Tenho proximidade com a Galiza e seu povo, pois a Bahia, minha terra, tem uma imensa colonia espanhola onde prevalecem os galegos. Lembro que me impressionei ao chegar em A Corunha e ver cartazes de nosso xogador Mauro Silva, pois não tinha idéia que ele fosse tão popular na Galiza. Gostei muito da comida na Galiza.