O Bloco quer ser "força de governo", mas com outra relação com o PS

O Bloco quer ser "força de governo", mas com outra relação com o PS
Um momento da convenção
Um momento da convenção  

A formação liderada por Catarina Martins realiza esta fim de semana a sua XI Convenção Nacional. Os textos oficiais a debate propõem que um hipotético novo pacto com o PS teria de ser votado em referendo pelas pessoas aderentes ao partido. A moção com mais apoios das delegadas presentes defende também "abrir um processo de alteração dos tratados europeus", condição imprescindível para fazer políticas verdadeiramente de esquerda.


O Bloco está satisfeito com a sua experiência como força de apoio parlamentar ao Governo do PS de António Costa. "Afastámos a direita, acabámos com os cortes em salários e pensões, parámos as privatizações”, disse numa entrevista com a Agência Lusa a coordenadora bloquista, Catarina Martins.

Mas o Bloco quer mais. Isso é o que defende na moção maioritária, que conta com o respaldo de 523 dos 625 delegadas e delegados à Convenção, sob o título de "Um Bloco mais forte para mudar o país". Nela o grupo de dirigentes liderado por Catarina Martins, Pedro Filipe Soares (líder parlamentar) e a eurodeputada Marisa Matias sustenta que o Bloco deve ser "força de governo", mas com "uma nova relação de forças" com o Partido Socialista. O Bloco, portanto, estaria disposto a dar um passo à frente e apanhar pastas [carteiras] num hipotético governo dirigido por António Costa após as próximas legislativas, agendadas para 2019.

"Esse governo fará o que o PS recusou fazer", esclarece a moção, "partindo do ponto em o PS travou, sem tibiezas: relançar a saúde e a escola pública e a dignidade do trabalho, combater o rentismo e recuperar a propriedade de bens estratégicos na economia e no ambiente".

Um ponto básico das teses, aliás, é a defensa duma outra política europeia: um governo do Bloco, ou com o Bloco dentro, deve "abrir um proceso de alteração dos tratados europeus para a redefinição da política económica e da dívida". E por se ficavam dúvidas, o grupo dirigente do Bloco explicita: "Sem essa redefinição, não há espaço para políticas de esquerda".

No plano interno, o Bloco enfrenta uma assembleia bem tranquila. Os sectores críticos apenas têm força. Há duas moções alternativas —com o título de "Mais democracia, mais organização" e "Um Bloco que não se encosta"— mas entre as duas só reúnem o apoio de 59 delegadas e delegados.



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