A ADQUISIÇÃO FOI FEITA A EMPRESAS PRÓXIMAS AO PS

Escândalo em Portugal pela compra de material não ignífugo na luta anti-incêndios

Escândalo em Portugal pela compra de material não ignífugo na luta anti-incêndios
Um bombeiro português tenta apagar as chamas
Um bombeiro português tenta apagar as chamas  
Golas [panos que cobrem a boca] de poliéster, material inflamável, foram compradas por Proteção Civil a empresas próximas a dirigentes do Partido Socialista. O escândalo, revelado pelo jornal Público, já se saldou com primeira vítima política, a de Francisco Ferreira, adjunto à Secretaria de Estado de Proteção Civil.

As golas são de poliéster, um material não ignífugo, o que significa que não protegem as pessoas que lutam contra os incêndios que este verão estão a devastar o país. Proteção Civil distribuíu até 70 mil prendas deste tipo, desprovidas também de tratamento anti-carbonização.

Além de mais, as golas foram pagas a um preço sensivelmente superior ao do mercado: a 1,80 euros por unidade quando em condições normais é possível adquiri-las por entre 63 e 71 cêntimos.

Francisco Ferreira, responsável pela procura das empresas fornecedoras, é a primeira cabeça que entrega pelo escândalo o Governo António Costa, preocupado pelo impacto que a polémica possa a vir a ter sobre as iminentes eleições legislativas do vindouro mês de Outubro. Mas quem já está no alvo das críticas é o próprio secretario de Estado de Proteção Civil, José Artur Neves. E não apenas pelo assunto das golas, mais também porque se descobriu que um seu filho assinara contratos com o sector público, coisa que a lei portuguesa não permite.