LEONARDO BOFF VISITOU O LÍDER DO PT

Lula como troféu

Lula como troféu
Leonardo Boff, durante un acto da campaña do PT-PCdoB
Leonardo Boff, durante un acto da campaña do PT-PCdoB  

O teólogo Leonardo Boff esteve em Curitiba nesta segunda-feira dia doze para visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preso desde há 221 dias na Superintendência da Polícia Federal.


Após a visita, o teólogo concedeu entrevista coletiva à imprensa. Boff acredita que no momento atual a principal luta do povo brasileiro no próximo período é resgatar o pacto social rompido após o impeachment de Dilma Rousseff: "Uma Constituição é um pacto social, que nós fazemos para um não comer o outro. Então, esse pacto social foi rompido com o impeachment contra a Dilma. Como foi rompido, não vale a Constituição, não valem as leis, eles pintam e bordam, surram, prendem", disse Boff para quem a prisão do ex-presidente Lula é uma "vergonha para o Brasil e para o sentido do Direito", pois sua condenação foi baseada em um processo sem provas de culpabilidade. Lula está preso na Superintendência da PF desde o dia 7 de abril, condenado no âmbito da Operação Lava Jato, por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

"Usam ele [Lula] como troféu, para sustentar as mentiras que fizeram, especialmente aquele desenho onde ele era a cúpula de toda uma estratégia de corrupção. Seguram o Lula preso para se auto-justificar. Mas sabem que é mentira a questão do triplex. Eles montaram uma narrativa que fez dele chefe de quadrilha, mas não conseguem trazer nenhuma prova", afirma Boff.

Além das violações jurídicas que envolvem o processo do ex-presidente Lula, para o teólogo a passada campanha eleitoral mostrou um novo fator para a desestabilização da democracia brasileira, que foram as notícias falsas disseminadas pelas redes sociais. Dez dias antes do segundo turno das eleições, o então candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) foi denunciado por receber financiamento ilegal de campanha, com montante de mais de R$ 12 milhões. A denúncia divulgada pelo jornal Folha de São Paulo mostrava que empresários estariam bancando a compra de pacotes de distribuição em massa de mensagens contra o PT no Whatsapp.

"Ele —em referência a Bolsonaro— ganhou as eleições de forma fraudulenta, com aqueles milhões de notícias falsas. É uma lição para nós saber que as eleições futuras não vão ser mais de grandes comícios, vão ser o manejo das mídias sociais, que nós temos que aprender a usar, aprender a nos defender", diz.

Aliado ao trabalho nas redes sociais, Boff entende também que existe a necessidade de que os movimentos e organizações de esquerda voltem-se às suas bases e ao contacto mais próximo com o povo. Para o teólogo, a religião tem parte fundamental nesse processo, pois o povo entende o discurso religioso, porque "eles manejam a Bíblia".

"Nós temos que retomar o trabalho na base, criar escolas de formação política. E o tema central que nós vamos sempre bater será injustiça social no Brasil. Não vamos falar só desigualdade, porque é um tema neutro. Injustiça é um tema ético. Injustiça é pecado contra Deus e contra os filhos e filhas de Deus”, diz o teólogo, quem acrescentou que o ex-presidente Lula estaá com um humor surpreendente, mas indignado, desafiando, mais uma vez, Sérgio Moro —agora super-ministro com Bolsonaro— a apresentar uma única prova sobre o triplex.

 

 



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