PÓVOA DE VARZIM VAI DERRUBAR A SUA PRAÇA

Maus tempos para as touradas em Portugal

Maus tempos para as touradas em Portugal
Praça de Touros de Póvoa [Foto: Wikipedia].
Praça de Touros de Póvoa [Foto: Wikipedia].  

Primeiro foi Viana do Castelo. Agora é o turno de Póvoa de Varzim, autarquia que a inícios de 2020 vai deitar abaixo a sua praça de touros. "Somos contra o tratamento violento de animais", diz o presidente da câmara municipal, o conservador Aires Pereira. Em Portugal as touradas recuam em toda a parte. Neste momento apenas há festejos taurinos em 12% dos concelhos do país.


Derrubar a praça de touros. Substituí-la por um espaço multi-usos em que se irão investir 7 milhões de euros. Esse é o projeto que tem por diante o governo local de Póvoa de Varzim, em mãos da direita. "Evoluímos no tempo, o comportamento da sociedade mudou", disse o autarca Aires Pereira, dirigente do Partido Social Democrata (conservador). A única formação que votou em contra da demolição é o ainda mais direitista CDS de Paulo Portas. Porém, a decisão não foi pacífica no seio do PSD até o ponto de três dos seus vereadores votarem contra o derrubo.

Mas, à margem da resistência dalguns setores da direita, que as touradas retrocedem é um feito objetivo, um fenómeno geral em todo o país, como certifica Sérgio Caetano, da plataforma Basta de Touradas. Para ilustrar esta afirmação são suficientes dois dados: apenas 10% das autarquias nacionais subsidiam touradas e estes eventos só têm lugar em 12% dos concelhos do país.

Caetano remarca que, contra o que se costuma acreditar, as touradas são em geral negócios ruinosos que só vão avante graças aos subsídios públicos.

Apenas 10% das autarquias nacionais subsidiam touradas e estes eventos só têm lugar em 12% dos concelhos do país

Por contra, desde a Federação Portuguesa da Tauromaquia, Pro-Toiro, o que se argumenta é que se as touradas estão protegidas pela lei —por considerá-las uma manifestação cultural—o Estado "tem a obrigação de promover e assegurar o acesso dos seus cidadãos" a estes festejos. Qualquer medida que fosse na direção de proibir as corridas de touros seria "inconstitucional", assinala Hélder Milheiro, presidente de Pro-Toiro.

A praça de touros de Póvoa, inaugurada em 1949, é um equipamento municipal gerido também por uma empresa propriedade da autarquia, a firma Varzim Lazer. Tem capacidade para acolher 5.500 pessoas e o seu espectáculo de maior porte é a Grande Corrida TV Norte, que se realiza no mês de Junho e que costuma ser transmitida pela Radio Televisão Portuguesa (RTP).