O Minho, alvo da minaria do lítio

O Minho, alvo da minaria do lítio
[Imagem: Esquerda.net]
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Braga, Barcelos, Vila Verde, Melgaço, Monção, Arcos de Valdevez, Vieira do Minho, Cabeceiras de Bastos e Fafe são concelhos dos distritos de Braga e Viana do Castelo. Os nove são objetivo da mineira Fortescue Metal Group para a exploração de lítio, elemento com valor à alça na indústria do automóvel.


O lítio, junto com o cobalto, é um dos principais materiais para a produção de baterias de automóvel de modo que a fabricação de automóveis elétricos é já a atividade que mais lítio consome. E a corrida pelo controle deste material começou. E já tem ganhador: a China controla perto do 40% da produção mundial. Argentina, Austrália e Chile outro 40%.

A Fortescue Metal Group é uma empresa australiana que até agora tem realizado vinte e dois pedidos para explorar este minério em Portugal. No Alto Minho tem mobilizado populações e autarcas contra a sua exploração e, tal como acontece na Galiza com a mina Touro-O Pino, perante os protestos a empresa fala em reformular o projeto. Reformular, mas não abandonar a pesar de as prospeções chegarem mesmo às portas do Parque Nacional Peneda-Gêres.

Ora, a pesar dos protestos, as prospeções continuam e apontam para um depósito de 30 milhões de toneladas de lítio só no concelho de Montalegre o que converte esta mina na maior da Europa e na quinta maior do mundo. Mas como o lítio não entende de fronteiras políticas e as multinacionais também não, a Galiza fica inserida de pleno nesta febre de ouro branco ao formar parte de um filão que parte do norte de Cáceres e chega aos concelhos de Fornelos de Montes, Cerdedo, Covelo, A Lama e Forcarei, em Pontevedra, e aos de Avión, Beariz, Boborás e O Irixo em Ourense, todos eles alvo para as prospeções das empresas Salamanca Ingenieros, a canadense Solid Mines España e Recursos Minerales de Galicia, que estão a realizar trabalhos de avaliação do terreno.

ADEGA já advertiu do impacto que este novo projeto de exploração a céu aberto poderia produzir na paisagem, na flora e fauna e também de contaminação ambiental.

A extração de lítio para utilizar no fabrico de cerâmica já existe na atualidade mas a grande mudança reside na produção de óxido de lítio para uso nas baterias de automóveis na previsão de uma demanda de 300.000 toneladas para o ano 2025, dez vezes mais da demanda atual. Nesse gráfico que cresce tão aceleradamente o Minho, aquém e além, ocupa uma posição relevante.

Um tesouro para muita gente menos para os seus legítimos donos.