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O Fernando Pessoa invissível

Xoán Costa | 14 de Abril de 2019

Rui Lage
Imaxe: Porto.pt
Rui Lage Imaxe: Porto.pt

'O Invisível' foi o romance vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, em 2017, instituído pela Estoril-Sol. O júri reconheceu nele "um romance com notável fulgor imaginativo" no qual "a figura histórica de Fernando Pessoa é tornada personagem de romance e colocada no centro de uma trama de ficção muito original.

O Invisível foi o romance vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, em 2017, instituído pela Estoril-Sol. O júri reconheceu nele "um romance com notável fulgor imaginativo" no qual "a figura histórica de Fernando Pessoa é tornada personagem de romance e colocada no centro de uma trama de ficção muito original, que cruza criativamente referentes conhecidos da época e Cultura Pessoanas, particularmente a sua vertente ocultista e/ou esotérica", lê-se no comunicado da Estoril-Sol, que promove o galardão, em parceria com a Editorial Gradiva, que publica este título.

 

Tudo começa em Portugal, 1931. Fenómenos inexplicáveis semeiam o terror entre os habitantes de Cova do Sapo, um lugar isolado nas fragarias da serra do Alvão. Todas as noites, a aldeia é atormentada por entidades misteriosas e acorda com sepulturas violadas no cemitério. A exaustão abate-se sobre a pobre gente do povoado, incapaz de pregar olho.

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Ora, se existe alguém capaz de solucionar o mistério e acudir aos habitantes de Cova do Sapo, esse alguém é certamente Fernando Pessoa, poeta de Orpheu, médium, perscrutador da quarta dimensão, necromante e perito em assuntos astrais.

 

Neste engenhoso romance, a meio caminho entre o policial e o fantástico, Pessoa revela-se um detective com talentos muito particulares. O poeta, que detesta viajar e ausentar-se do ambiente de Lisboa, mergulha no mundo arcaico de uma aldeia serrana do Norte de Portugal, assediada por influências e presenças sinistras.

 

Rui Lage revela-nos neste romance um novo e fascinante Fernando Pessoa, entre o poético e o rocambolesco, o desassossego cósmico e o encantamento telúrico, a comoção com o visível e a pesquisa do invisível.

 

"Neste romance convergem vários géneros: desde logo o fantástico e o romance histórico, quer Portugal quer África do Sul são reconstituídos, na sua inserção 'epocal', com o máximo rigor que me foi possível; mas também o rocambolesco e o satírico, além de elementos do romance policial - a personagem de Pessoa deve aqui alguma coisa à tradição norte-americana dos 'occult detectives', com ascendentes em Poe e Conan Doyle", disse em declaraçoes à agência Lusa o autor.

 

"Interessava-me colocar Pessoa em situações incómodas, desconcertantes, fora do seu ambiente lisboeta (já tão explorado noutras ficções), para agudizar contrastes e convocar um mundo arcaico, telúrico, atormentado por influências e presenças invisíveis. Eis porque, com certa dose de perversidade, transportei Pessoa para uma aldeia fictícia, na serra do Alvão, pondo-o a interagir com uma comunidade ensimesmada, radicalmente extemporânea", rematou.

 

O Invisível é o primeiro romance de Rui Lage e vem de lograr o reconhecimento da Sociedade Portuguesa de Autores com o Prémio Autores 2019 na Categoria Literatura para Melhor Livro de Ficção Narrativa em cerimónia de entrega que teve lugar no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, no passado dia 27 de Março.

 

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