A vergonha de sentir-me parte desta Europa

31 xaneiro 2013 03:59 h.

“Segundo dados oficiais, 18 milhons de pessoas do Sahel sofrem extremas condiçons climáticas, pobreza e crise alimentária. Mais de 1,1 milhons de [email protected] estam em risco de sofrer grave desnutriçom”Estamos tam acostumadas a ouvir este tipo de informaçons que semelham nom nos fazer melha.

“Segundo dados oficiais, 18 milhons de pessoas do Sahel sofrem extremas condiçons climáticas, pobreza e crise alimentária. Mais de 1,1 milhons de [email protected] estam em risco de sofrer grave desnutriçom”

Estamos tam acostumadas a ouvir este tipo de informaçons que semelham nom nos fazer melha. Quando nós, sensível cidadania, concienciada e onegeada cidadania, escuitamos a invasom que está a sofrer Mali, sentimos arrepio e a maioria da sociedade tristura, tristura que logo remata, e todo há que dizer, ao cambiar a canle. Menos mal.

Se bem é certo que algúns avezadinhos sabem da ingerência devastadora que Europa infringe aos povos do centro-norte africano, [email protected], nom [email protected] mais, sabem disto e dos movimentos de libertaçom nacional e social que sordem nesses povos, além disso, a maioria só ouve falar de grupos terroristas que violam, andam a machadaços, ameaçam a paz mundial e partilham a necessidade de que se vaia ali a pôr ordem. Isto último, o de ameaçar a paz mundial, está-se a referir a nom ter guerras em território francês, Inglês, Alemám, Americano ou Japonês. Com certeza, quando estám a falar de paz mundial nom se estám a referir à maré de conflitos bélicos que está a haver no mundo, entre eles no Mali. Bem pouco lhe importa; seria uma novidade maravilhosa que as potências europeias se interessarem, agora, de súpeto, por um continente africano que passa fame, conflitos bélicos, mortes a milhares por sida, ou pola profusom do integrismo religioso, ou isto último quiçais sim? . É evidente que nom.

O do “combate ao terrorismo islámico” é só um pretexto para a invasom por Mali. Estes grupos, como é publico, colaboraram activamente na agressom e invasom imperialistas em Líbia, Síria e Irak. Nestes países os mídia ocidentais falarám-nos do seu papel guerrilheiro e libertador. Pola contra em Mali som terroristas. Que é o que passa?

"O do “combate ao terrorismo islámico” é só um pretexto para a invasom por Mali".

 A situaçom no território conhecido como Mali é, a semelhança de outras situaçons, quer no continente africano, quer noutras regions do planeta, o resultado concreto da estratégia imperialista de instigaçom de conflitos sectários, religiosos e étnicos que, servindo de pretexto para a agressom e ocupaçom militares imperialistas, é em si mesma a origem do fortalecimento dos radicalismos religiosos.

É à luz deste contexto que deve ser lido o conflito. Um conflito que por via da intervençom extrangeira —abandeirada por França—com o fim aparente de levar a cabo umha intervençom militar para derrotar a ameaça islamista, desprega um contingente militar na república do Mali com o único obxectivo de server como auto-estrada cara o território do norte, O Swaad. Espaço físico reivindicado polo povo Tuareg e rico em uránio . Umha ofensiva militar em toda regra para aplastar o movimento independentista Tuareg e assim continuar a roubar as riquezas do seu sobsolo. De caminho aproveita para pode estender-se a outros países da regiom, nomeadamente a Argélia e Niger.

O conceito vago e oco de “soberania” destes países ocidentais nom concorda com que os tuareges establezam o controle sobre os seus recursos minerais e fagam o que lhes pete com a riqueza natural do seu território.

O Sahel ao igual que Argélia tem um subsolo rico em petróleo e uránio e é-che aquí o quid da questom; a empresa Areva (francesa) leva décadas explotando o Uránio nesta regiom, apodrecendo as aguas com verquidos de Rádio, criando enfermidade e expoliando riqueza. Diante disto, Europa nom dizia nada. Os lucros que França recolhia eram imensos, nom em balde as duzias de reatores nucleares produtores de energía eléctrica que posúe este Estado, venhem dalgures. O Estado Espanhol também compra energia eléctrica a França. A eles compra-lhe-la, a nós roubano-la.

"O Sahel ao igual que Argélia tem um subsolo rico em petróleo e uránio e é-che aquí o quid da questom"


Todo ía bem, França sentia-se a gosto, mesmo o avance do integrismo islámico nom semelhava um perigo para os seus interesses económicos, porque alí onde existe integrismo islámico, Ocidente nom tem controversia bélica ningunha para resolver as possíveis discrepáncias sobre os seus ganhos. E se alguém duvida desta afirmaçom que vaia mirando um por um os paises de Asia, América, África e Ásia donde intervírom e intervenhem as “forças libertadoras” ocidentais.

Dava igual que os independentistas tuaregs, alertassem sobre o medre do integrismo islámico, ou que as mesmas autoridades de Mali acudiram ao Conselho de Seguridade da ONU na procura de ajuda. Nom importam em demasia aos organismos internacionais, as problemáticas dos paises no mundo quando nom estám em jogo os interesses ocidentais.

Mas, o que nom lhe deu igual ao governo francês foi a ingerência do povo nos seus assuntos económicos, nomeadamente os protestos continuados que faziam perigar os interesses franceses de AREVA sobre o Uránio.

Por tanto, François Hollande optou por levar adiante a operaçom unilateralmente, ainda que co apoio logístico doutros paises entre eles o títere governo espanhol, deixando o seu espaço aéreo para que se leve a cabo tanta masacre. Alí agarda-os cos braços abertos o Comando Militar norte-americano para África, AFRICOM, cuxa misiom é a desestabilizaçom de vários dos paises da zona, caso da agredida, derrubada e expoliada Libia.

Do que se trata é de acentuar o domínio económico, político e geo-estratégico do imperialismo na África e pôr em causa a soberania e integridade territórial dos Estados que interessem.

O respeito pola soberania e integridade territorial no Swaad, deve estar livre de ingerências e intervençons militares externas que só serviram para introduzir maiores elementos de inestabilidade no País e na regiom. Por tanto, como galega, sinto vergonha de pertencer a esta Europa e acuso ao governo francês por tanta ignonímia.