Da procura opcional

28 xaneiro 2013 01:05 h.

Quando tomamos decisons como consumidores, acontece por vezes que o simples alargamento da variedade de alternativas ao nosso dispor beneficia-nos, mesmo se as novas possibilidades de consumo ao nosso alcançe nom se traduzem em demandas imediatas dos novos bens e serviços disponíveis. Um exemplo servirá para esclarecer este ponto.

Quando tomamos decisons como consumidores, acontece por vezes que o simples alargamento da variedade de alternativas ao nosso dispor beneficia-nos, mesmo se as novas possibilidades de consumo ao nosso alcançe nom se traduzem em demandas imediatas dos novos bens e serviços disponíveis. Um exemplo servirá para esclarecer este ponto.

Eis um indivíduo que mora no arrabalde da cidade onde se ubica o seu centro de trabalho e tem de se deslocar de carro todos os dias laboráveis; no lugar de residência non existe nengum meio de transporte colectivo e portanto qualquer contingência que imobilice o automóvel supom um problema de transporte.

Adquirir um segundo automóvel para solventar a contingência seria excessivo; viajar de táxi enquanto se soluciona o problema pode resultar caro; contratar umha apólice de seguro que inclua entre as suas cláusulas a disponibilidade de outro carro durante o tempo em que o seupermanece imobilizado talvez também nom compense.

Pode acontecer que essa persoa se pergunte por quê nom existem na zona empresas privadas de transportes: por quê falha o mercado na provisom de transportes colectivos? E mais ainda quando ela estaria disposta a pagar umha quantidade significativa para que existisse essa opçom.

É evidente que só quando realmente viajamos num meio de transporte pagamos o ticket correspondente, de maneira que a procura opcional nom consta ao eventual promotor privado de umha empresa de transportes e, portanto, esta nom resultará rendível e nom se criará. Contodo, a soma do que os cidadáns do lugar (parróquia, concelho, área metropolitana...) estarian dispostos a pagar por terem acesso a essa alternativa, mais os tickets vendidos aos que realmente viajam, avondaria para cobrir os custos reais gerados por este serviço.

Nessas circunstáncias, a soluçom passa, se calhar, pola acçom colectiva: os indivíduos interessados na provisom dum meio de transporte alternativo poderiam decidir subsidiar a actividade para cobrir o défice que suscita a sua implantaçom e funcionamento. Ora bem, articular essa soluçom acarreta custos de transacçom significativos que podem levar a anular o projecto: alguém deverá contactar e convencer os indivíduos concernidos e, nomeadamente, neutralizar a sua tentaçom de nom colaborarem no financiamento dum projecto de cujo desfrute, caso se plasmar na realidade, ninguém os poderia excluir; despois,negociar com eventuais fornecedores as condiçons de funcionamente do novo serviço de transportes.

"A defesa do actual sistema de urgências da sanidade pública nom só assenta em sólidos princípios sociais e políticos senom que alicerça também nos ditados da análise económica"


É claro que este problema se neutraliza recorrendo às administraçons públicas que, por definiçom, tenhem poder para detrair, coactivamente e sem exclusons, ingressos dos cidadaos via impostos. Neste caso utilizaria-se a burocracia dessa administraçom (por exemplo o concelho de residência), para acrescentar a carga fiscal até a soma necessária para absorver o défice estimado do novo serviço de transporte público. As despesas administrativas vinculadas ao crescimento da carga impositiva seriam logicamente menos importantes do que os custos de transacçom antes mencionados.

A existência dum serviço público para as urgencias médicas (de dia ou de noite, rural ou urbano) tem análoga justificaçom, mudando o que deve ser mudado para nos adaptar a este exemplo específico. E caso de desaparecer esse serviço, provavelmente o que a gente afectada por essa circunstáncia estaria disposta a pagar por manter o anterior statu quo sobraria para cobrir o gasto. Na verdade, a procura opcional conta e se o que estamos dispostos a pagar por um serviço é mais do que os custos de proporciona-lo, mantê-lo ou, sendo o caso, cria-lo é a soluçom mais eficiente.

Nem é preciso dizer que no caso galego a liquidaçom dos serviços de urgencias em boa parte do rural representaria um drama: com um hábitat mui espalhado, um clima adverso, umha orografia difícil e infra-estruturas viárias deficientes na Galiza interior; com umha populaçom de ingressos baixos e envelhecida (que requer com frequência serviços médicos de todo tipo enquanto vê mermada a sua autonomia para desenvolver algumhas funçons). Nem é preciso também ser mui sagaz para perceber o que queremos dizer e comprender que outras som as razons que movem os Governos regionais de Castilla-La Mancha e Nafarroa quando falam de suprimir as urgências nocturnas e no rural, respectivamente. A defesa do actual sistema de urgências da sanidade pública nom só assenta em sólidos princípios sociais e políticos senom que alicerça também nos ditados da análise económica.

Ramom L. Suevos