As grossas palavras da semana passada dérom passo ao insulto e à desqualificaçom entre as duas principais fraçons que desputam o poder no seio de Podemos.

A pouco menos de três anos da sua constituiçom o partido morado homologa-se com a prática consubstancial dos partidos sistémicos burgueses [1], onde a ausência de debate político e ideológico é susbtituida polo confronto entre as camarilhas burocráticas para controlar o aparelho e as finanças.

O espetáculo televisivo e na rede de guerra aberta entre Pablo Iglesias e Iñigo Errejón deu passo ao confronto direto entre os seus principais quadros, amplificada polos mesmos meios que promovérom a força chauvinista e populista socialdemocrata espanhola.

Deste jeito salta polos ares boa parte do discurso e retórica [“relato” na gíria postmodernista] da mal chamada “nova política” sobre o pluralismo e a transversalidade.

A relativa recuperaçom da estabilidade política atingida polo regime do 78 polo êxito atingido com o conjunto de medidas arriscadas para relegitimar-se [promoçom de válvulas de escape bem controladas como o 15M, susbtituiçom do desgastado monarca bourbónico polo seu filho, impulso do nacional-populismo podemita, neutralizaçom do movimento operário] que desmobilizárom o povo trabalhador, aggiornando as sus reivindicaçons por meio do amorfismo cidadanista e o ilusionismo eleitoral, permite-lhe explorar o início dumha nova fase caraterizada por ir reduzindo paulatinamente apoios a Podemos, promovendo a sua rutura “controlada”.

O divórcio nom vai ser imediato porque ambas fraçons de momento se continuam a necessitar mutuamente para consolidar nas vindouras eleiçons o sorpasso sobre o PSOE

O risco de fratura interna entre ambas correntes -diferenciadas pola sua tática de maior ênfase socialdemocrata, política de alianças com o PSOE mais forças de ámbito nacional e presença na rua-, está diretamente vinculado com o congresso de fevereiro de 2017. Embora o divórcio nom vaia ser imediato porque ambas fraçons de momento se continuam a necessitar mutuamente para consolidar nas vindouras eleiçons o sorpasso sobre o PSOE e cumprir o rol de principal partido da oposiçom na democracia burguesa hispana.

Podemos perdeu com grande rapidez boa parte da frescura do “nuovo” que fascinava aos segmentos sociais pequeno-burgueses, semiproletários e desclassados que acreditavam nas milongas do “coletas” de soluçons fáceis, imediatas e indoloras para situaçons complexas e prolongadas que requirem lágrimas, suor e sangue se nos referimos à mudança social, à Revoluçom.

O desgaste de Podemos e a sua mais que provável quebra interna a meio ou longo prazo, quando umhas das duas fraçons considere prescindível a outra na lógica eleitoral, é umha boa notícia para o comunismo revolucionário pois contribue para facilitar o desmascaramento das falácias sobre as que se leva construíndo e reconfigurar o projeto ruturista sob direçom e orientaçom operária.

Galiza, 27 de dezembro de 2016

[1] Sobre parte desta análise ja realizei umha reflexom em maio.