As emigradas galegas precisamos da Independência Nacional! Queremos viver no nosso país, falar na nossa língua, viver na nossa cultura, trabalhar e luitar polos interesses do nosso povo, e construir umha naçom forte e orgulhosa de si mesma. Mas o saqueio que nos faz o Estado espanhol e a própria Uniom Europeia obriga a muitas galegas e galegos a deixar a nossa terra para intentar conseguir um trabalho com que poder viver. 

Olhando o país desde a perspetiva dumha emigrada, a realidade da colonizaçom faz-se muito mais evidente. Pois além das diferenças culturais e linguísticas, o que mais choca é ver como os recursos naturais e as riquezas do nosso país som apropriadas e centralizadas polo Estado espanhol e aproveitadas em seu exclusivo benefício. Atopamo-nos com situaçons verdadeiramente esperpénticas, como o caso de galegas que se vêm obrigadas a emigrar para a metrópole madrilena para trabalhar em empresas que extraem energia produzida na sua própria vila na Galiza. Ou seja, tanto o trabalho qualificado como os rendimentos destas empresas centralizam-se em Madrid, enquanto no País apenas se cria trabalho precarizado e os habitantes dessa vila o único que percebem som os danos ambientais que provoca a produçom dessa energia. Este tipo de situaçons determina que a mão-de-obra qualificada polas nossas universidades se veja forçada a abandonar o País rumo a outros estados, que se tornam beneficiários da formaçom especializada da nossa mocidade.

Olhando o país desde a perspetiva dumha emigrada, a realidade da colonizaçom faz-se muito mais evidente

Além disto, as limitaçons impostas tanto polo Estado espanhol como pola Uniom Europeia, aos sectores produtivos do País, com o beneplácito da Junta da Galiza governada polo Partido Popular, assim como o quase nulo investimento em investigaçom e desenvolvimento de novos modelos que potencializem o crescimento económico, provocam um desemprego elevado entre a mocidade galega, o que conduz tanto à precarizaçom laboral das pessoas empregadas como à emigraçom forçada para outros estados, convertendo-nos em mão-de-obra barata.

Esta situaçom da emigraçom galega é ignorada transversalmente no âmbito do espectro político do Estado espanhol, nom existindo grandes diferenças entre a direita e a esquerda espanholas neste aspecto. Se é evidente que para a direita esta situaçom é ideal, pois contribui para a precarizaçom das condiçons laborais, tampouco faz parte da agenda politica da autodenominada esquerda espanhola, que prioriza o conceito da “integridade do Estado espanhol” sobre os legítimos interesses da populaçom galega. Paradoxalmente, vemos hoje em dia essa mesma esquerda preocupada com a nova vaga de emigraçom espanhola, provocada pela crise económica, quando nunca manifestarom nenhuma preocupaçom com as constantes saídas da populaçom galega para o exterior, fosse para o Estado espanhol ou para outros estados.

Esta situaçom da emigraçom galega é ignorada transversalmente no âmbito do espectro político do Estado espanhol, nom existindo grandes diferenças entre a direita e a esquerda espanholas neste aspecto

Há seculos que somos um povo oprimido, o que provoca que apesar de sermos um país rico em recursos naturais nos vejamos empobrecidos e explorados, o que, consequentemente, subtrai ao nosso país sucessivas geraçons de emigrantes. Esta situaçom nom pode ser confundida com as causas conjunturais que determinam vagas de emigraçom, por exemplo as que vive atualmente o Estado espanhol como consequência da crise económica. 

A independência nacional é umha condiçom indispensável para reverter esta situaçom. Só com umha naçom consolidada, que exerça a plena soberania sobre os seus recursos naturais, guardiã do seu passado, dona do seu presente e livre para determinar o seu futuro será possível criar as condiçons para que as pessoas emigradas retornem à pátria e para que a nossa juventude se anime a participar na construçom do País, em lugar de verem-se obrigadas a emigrar.