Assistimos, uma vez mais, ao debate não resolvido sobre o aproveitamento da floresta na Galiza. Concordando os sectores afetados na importância que a floresta tem para a economia galega, não se coincide no modelo de aproveitamento mais idóneo para a nossa realidade, urgindo, penso, chegar a esse complicado equilíbrio de realizar o trânsito do atual modelo especulativo e aquele que pensa mais na sustentabilidade dos modelos económicos. Filosofias económicas que diferenciam um modelo respeitoso para com a Terra e para com a tradição económica de quem aqui mora; fronte a outro modelo que só pensa em obter lucro fácil e simples sem consideração para as gerações que estão por vir.

Tive a sorte, imensa, de fazer o caminho de Kumano, no Japão acompanhado por amigos japoneses que amam a sua Terra

Tive a sorte, imensa, de fazer o caminho de Kumano, no Japão acompanhado por amigos japoneses que amam a sua Terra. E penso que a amam porque a conhecem. Com certas diferenças evidentes a simples vista, há algo que lembra a Galiza, especialmente a Galiza litoral. Uma floresta para aproveitamento industrial diverso, desde celulosa a construção, em lugares que um nem imagina como é que poderem retirar a madeira. Mas, há um aquele que se intui que marca diferenças. Quando um amigo perguntou a minha percepção do Japão, a primeira evocação foi a de ser um país organizado e limpo. 

Tal vez é o que precisa a nossa floresta: organização e limpeza. Uma coisa mais: orgulho de ser. Saber que o amor à tradição não implica renunciar à modernização. Mas também que esta não pode eliminar a tradição. Difícil equilíbrio, certo. Da nossa inteligência dependera que se consiga.