Há um ano, coincidindo com a data do 26 de Abril,  um pequeno grupo de pessoas, decidimos legalizar uma nova formação política que tinha e tem a intenção de trabalhar política e socialmente na Galiza histórica. A nossa intenção e espalhar a linha de pensamento decrescentista por entender que não é possível fazer uma nova política com velhos ideários, que não são quem de solucionar os problemas do dia a dia de milhões de pessoas. A solução do crescimento económico, do consumo irracional, da globalização, das atitudes de força e dominação são o cerne dos problemas do mundo no que atualmente vivemos e nem  os argumentos de criação  e mantimento de postos de trabalho pode fazer  perder de vista a situação tão desastrosa na que nos topamos. Desde LiGanDo entendemos que mais que defender o direito a produzir há que defender o direito a produzir de jeito diferente pondo por diante aspetos relacionados com a qualidade de vida individual e coletiva, o reparto, a diversidade, o respeito ao território fronte à produção e à quantidade produzida.

O consumo e espoliação ao que sometemos ao nosso planeta, há tempo que superou a sua capacidade de regeneração e há tempo, também, que a mudança climática é uma realidade que o vai mudar todo; começando pelo litoral de qualquer parte do mundo incluído o galego. Ter presente que uma boa parte da cidade da Corunha, Ferrol, Vigo e numerosas vilas galegas vão ser anegadas pelo mar a meio prazo força nos a fazer propostas de futuro que tenham conta desta realidade negada pelos partidos políticos com representação, meios de comunicação (incluídos os alternativos) e poderes económicos. Outro aspeto muito importante que esta trazendo a mudança climática é a incerteza do clima que faz que as colheitas de alimentos sejam muito inseguras e que continuamente se desprazem  pragas, animais e plantas por todo o globo pondo em perigo a alimentação de milhões de pessoas em qualquer parte do mundo.

Mais que defender o direito a produzir há que defender o direito a produzir de jeito diferente

Se a incerteza climática vai carrear numerosos problemas, não são menores o que vão vir da mão da escassez dos recursos energéticos e mineiros num mundo pensado para consumir cada ano mais e mais. Se a crise do 2008 tem um fundo importante de crise energética, a atual crise militar mundial também, pois num mundo de recursos minguantes só podem seguir a medrar cada vez menos países e setores sociais das povoação nacionais e mundiais e, ademais, têm que ser a custa de fazer descender no seu nível de consumo energético e de recursos a outros países ou classes sociais.

Em LiGanDo-LGD tivemos muito presente a hora de nascer que a solução passa pelo decrescentismo e por isso entendemos fundamentar espalhar as propostas decrescentistas na sociedade porque a saída à atual crise será coletiva ou não será. A solução não é outra que aceitar o cambio de paradigma ao que se enfrenta a humanidade, mais concretamente o modo de vida ocidental. O cerne da solução é aceitar que entramos numa época na qual as atividades humanas terão que topar o necessário equilíbrio ambiental e que o futuro terá que vir acompanhado de menores consumos e do aproveitamento das sinergias positivas existentes na natureza e não na sua dominação. Outra das soluções que precisam ser espalhadas é a necessidade de dar as costas à economia global em favor duma economia de proximidade que recupere as atividades, recursos, saberes, … que nos foram proibidos em favor das grandes corporações. A simplificação voluntaria individual e coletiva e sobre todo a administrativa são imprescindíveis e pelo tanto é preciso botar abaixo as mega estruturas políticas e administrativas mundiais que para nada se demonstraram capazes de construir um mundo mais seguro e pacífico. Estruturas como a U.E. e a OTAN só servirão e servem para criar as condições políticas que permitem a acumulação do capital e dos recursos mundiais em cada vez menos mãos. É imprescindível que as pessoas recuperemos os direitos e a propriedade do território no qual vivemos e que nos foi roubado primeiro pelos estados corruptos e depois cedidos às multinacionais.

Outro aspeto importante da linha decrescentista de LiGanDo nasce com o eco-feminismo é bassease mudar atitudes individuais e coletivas para que a cultura da dominação que o impregna todo (dominação da paisagem, dominação do território, dominação da natureza, dominação dos animais, dominação das pessoas, ...) na cultura ocidental passe a ser entendida como o elemento mais negativo para topar as soluções que são precisas neste novo mundo que começa a nascer. Só desde uma reflexão individual e coletiva sobre a necessidade de deixar de lado a cultura da dominação que se transmite no seio das famílias, no ensino, na sanidade, … seremos quem de mudá-lo todo. A igualdade entre homens e mulheres ou o equilíbrio norte-sur entre outras muitas coisas só será possível se somos quem de entender que a solução passa irremediavelmente por cambiar atitudes individuais e coletivas desbotando as  de dominação e reforçando as de soberania sobre nós mesmo o nosso território e o nosso povo.

O outro piar fundamental sobre o que nasce e se apoia LiGanDo é o arredismo. O arredismo é um termo empregado nos tempos da II República e no exílio por um reduzido grupo de pessoas que defendiam a causa nacional galega, que acreditavam na necessidade da reunificação territorial da nossa pátria e que ademais tinham posturas muito avançadas na defensa da igualdade das mulheres do respeito ao meio ambiente e da conservação dos saberes tradicionais.

Para LiGanDo, o arredismo baseasse na aceitação da realidade galega e das suas contradições como povo submetido a uma cultura e a um poder alheo desde há centos de anos. Cultura e poder que pretendem impor soluções que para nada se adaptam as nossas peculiaridades e idiossincrasia mas que são assumidas como próprias pela maioria da população galega. Ser quem de mimetizar-se com o nosso povo  olhando as suas contradições, como algo natural que precisam ser mudadas com o tempo, insistência e sobre todo com muita paciência, tem que ser sem dúvida um elemento diferencial entre o arredismo e o nacionalismo galego. Outro elemento sobre o que se deve construir a cultura política  do arredismo é a necessidade de abrir a sociedade galega e o nosso idioma ao internacionalismo próximo e, pelo tanto, assumir as formas reintegracionionistas da nossa escrita como algo normal que deve sair dos cenáculos minoritários da intelectualidade e espalhar se pouco a pouco pelo conjunto do povo, fomentando à vez as relações com o mundo da galeguia (lusofonia). O reintegracionismo e mais concreto a norma AO têm que ser a ponte para internacionalizar a situação crítica do nosso idioma e da nossa cultura que esmorece fronte à insensibilidade do poder colonial sem que isto signifique entrar em “guerra”  com as pessoas espanhol falantes de Galiza. Desde LiGanDo sabemos que o  conhecimento do espanhol (500 milhões de pessoa a nível mundial) junto com o imprescindível conhecimento do galego internacional  (250 milhões de pessoas a nível mundial) que devemos ter todas as pessoas da Galiza histórica, colocariam o povo galego no segundo posto mundial no manejo de idiomas de uso comum e habitual entre a sua população depois da China com o chino mandarim e como primeiro no manejo dos idiomas mais espalhados pela geografia mundial.

A construção, por parte do arredismo, duma cultura política diferente passa por criar uma imagem baseada em propostas positivas e com a construção de soluções praticas alternativas e não só em comportamentos reivindicativos para impor a nossa visão e forçar os demais a torcer o braço. Se queremos ter sucesso devemos apostar pela construção coletiva com modelos de auto-gestão e desde abaixo e  sem dúvida devemos fazer nosso o lema: “Se queres resultados diferentes atua de jeito diferente”.

Um ano dá para pouco e para muito menos em política, mas hoje podemos dizer que o decrescentismo vão abrindo se passo na sociedade galega e que o decrescentismo somado ao arredismo são capazes de chegar e seduzir a setores sociais muito amplos que vão desde o nacionalismo às bases populares do PP entrando com especial força nos setores alternativos que já não acreditam na mercadotenia eleitoral como jeito de fazer e se expressar política e socialmente.

O reto para os vindouros anos é, sem dúvida, trabalhar para criar vínculos permanentes com as pessoas que partilhamos objetivos  comuns, mantendo uma atitude de colaboração e não de dirigismos. Desde LiGanDo defendemos que temos que ser quem de topar nos e colaborar as pessoas e organizações que apostem pela auto-gestão, por modelos económicos enfrentados ao grande capital, por modelos sociais enfrentados à cultura da dominação e por modelos que apostem na soberania (territorial, alimentar, sanitária, educacional, ….)  que trabalham em eidos tão dispares como a sanidade, educação, grupos e cooperativas de consumo, agricultura e ganadaria ecológica e de proximidade, pequeno comercio e pequenos negócios, eco-feminismo, ecologismo global e de proximidade, cultura cooperativista e de base para assim ajudar a visualizar que outro mundo é possível.

LiGanDo, na sua aposta imediata e como a organização política que é, tem que assumir a necessidade de levar o debate do decrescentismo e do arredismo as entornas políticas e da imprensa de massas e para isso vão ter que jogar no campo eleitoral de proximidade mas o que não pôde fazer é cair em comportamentos eleitoralistas e de vanguarda  iluminada. LiGanDo tem que aspirar a ser povo  a vez que trabalha desde a base, por um modelo social, económico, político e de gestão do território que nos foi e é roubado, por um estado que nos é alheo e que está a serviço do grande capital um dia sim e outro também.

                        

Calhovre (Minho), 26 de Abril de 2017