Superados os atrancos e trabalhos para constituir a Fundacion Manuel Maria de Estudos Galegos, outorgada a correspondente escritura pública, conformado seu Padroado, rematadas as obras de reconstrução e adaptação da casa em Outeiro de Rei, instalada a ingente biblioteca do poeta e mais documentos pessoais seus, coleções pessoais de diversos objetos, correspondência com outros vultos da literatura galega e estrangeira, publicados vários livros, celebrado reuniões, atos, visitas, etc. na Casa-Museu, todo um trabalho ingente de vários anos de ilusão e dedicação para rematar numa esplêndida realidade da casa, coberto e térreo, para refletir a vida familiar desde sua nenês vencelhada ao tipo de sociedade e de estrutura  rural na primeira metade do século passado; todo acrescentado com fotografias, reproduções, elementos pessoais de vida, vestido e trabalho; toda a vida do poeta,  todo o que ele e sobre ele se públicou e todo o editado que  poda ser de interesse para Galiza, seu grande amor, só disputado e compartido com Saleta, fundamental para que todo o esforço se plasmara na oferta cultural e sentimental que significa hoje a Casa-Museu de Manuel Maria, que eu considero de obrigada visita pois por muito que esperedes ainda vos vai surpreender.

Uma, entre muitas, das coleções mais curiosas que ali verdes é a de navalhas. E eu o que pretendia era falar da navalha. Manuel Maria, home pacífico, levava sempre navalha; os camponeses levam navalha porque sempre é preciso cortar uma silveira, apanhar um fruto do campo, podar um esgalho ou cortar um anaco de presunto com pão molhado com vinho. Conhecedores da  afeição de Manuel polas navalhas foram muitos os amigos que ofertarem alguma com certa particularidade ou que o próprio Manuel as adquirisse, chegando assim a uma muito curiosa coleção de navalhas comuns ou  singulares que hoje podemos contemplar na Casa Museu do poeta e que certamente desperta interesse e oferece uma visão diversa e peculiar de este instrumento.

Pois bem, com a navalha premia ou distingue a Fundación Manuel Maria a aquelas pessoas que de algum jeito divulgarem a obra de Manuel ou especialmente colaborarem na sua aventura literária e nacionalista e se distinguiram com sua amizade. Neste caso estava a última entrega de navalha, que tive lugar o passado dia 8 na Casa Museu em Outeiro de Rei, concedida a um home tão merecente de reconhecimentos como Xosé  Estévez (claramente amigo meu), home igualmente pacifico e particular amigo de Manuel, case me atreveria a dizer que desde toda a vida, e que durante muitos anos compartimos mesa com o poeta e outros amigos e familiares no Dia da Pátria e que ainda hoje, na sua ausência, seguimos compartindo o mesmo almoço com sua viúva, Saleta Goi, Cipriano Jiménez Casas, Margarita Ledo, e nossas respectivas esposas, ambas Maribeles e sempre algum achegado.

E ao fio de isto eu propunha ao Padroado que deveria instituir a Ordem da Navalha para premiar a todas aquelas pessoas relevantes na difusão, espalhamento e fixação da obra e ideário de Manuel Maria, Levando relação de premiados e Livro de Atas. Ordem na que proponho desde já como Grande dama da Ordem da Navalha de Manuel Maria (não seja que se décimos navalha só, pensem no Merime) a Saleta Goi, Grande Mestre de Cerimonias ao fazedor, secundando a Saleta, da Fundacion, Alberte Ansede e Cavaleiro da Navalha a Xosé Estévez, pois não todos os navalheiros vão ser iguais, e depois escolheríamos denominações para os navalheiros de a pé E todo isto porque entendo que da mais boato para os distinguidos com a entrega da navalha, dizer que pertences á Ordem da Navalha que dizer que eres navalheiro.

Bom, é brincadeira. Visitade a Casa Museu de Manuel Maria e disfrutaredes.

Quinta do Limoeiro, setembro de 2.019