... a pesar de que já desde o século XVII os catalães tiverom que revoltarse contra Castela pola sua política imperialista, primeiro os camponeses do Vallés, chefiados polos Bispos de Vic e Barcelona e posteriormente os segadores, declarando Pau Claris a República catalana para liberarse da imposição castelhana; e de que já naquela altura o rei de Castela encarcerou a varios Consellers catalans. A pesar de que o rei castelhano Felipe IV por medio de seu filho bastardo, Juan de Austria, invadiu Catalunya e asaltou brutalmente Barcelona destruindo um terço da cidade. A pesar de que o próprio Felipe IV dispujo, como se fora sua finca, de parte do solar catalán, que obsequiou a Francia para conservar outros territorios. A pesar de que já no seculo XVIII, a nova dinastia dos Borbons, que Castilha importou de Francia, representada por Felipe V, anunciou sua intenção de suprimir as instituições tradicionais catalanas contra o que se opujo Catalunya até, depois de longa guerra, capitular Barcelona em setembro de 1.714, feito que lembra a Diada. A pesar da repressão, baixo o reinado de Fernando VII e de Isabel II, de sublevações catalanas em defesa de sua identidade e direitos como comunidade nacional…

 

… a pesar de todo isso, Catalunya, Espanha te estima. E asim o manifestaron e reconhezerom os mais de um milhão de votos obtidos nas últimas eleições polos partidos que dam em chamarse constitucionalistas, os partidos do amor a Espanha. “Pelillos a la mar” porque todo aquilo fica muito longe.

 

Também a pesar de efemérides mais imediatas, Espanha t'estima, Catalunya. A pesar de que reinando Alfonso XIII se levara a cabo uma repressão durísima e arbitraria em Catalunya, a conhezida como Semana Trágica, abrindo um proceso militar contra 2.000 indivíduos, 17 penas de morte das que se executarom sete. A pesar de que tambem no século pasado “os nacionales” invadisem Catalunya, derogasem suas instituições e incluso fusilasem seu Presidente, a grande número de cidadãos e proibisem seu idioma; a pesar de que o Congresso espanhol restringiu os direitos recolhidos no Estatuto de autonomia aprovado pola totalidade das forzas politicas representadas no Parlamento catalán e que o Tribunal Constitucional espanhol cerceou ainda mais os direitos que deixara vigentes o Congresso. A pesar de que sem nengum rubor um ministro de Educação do Reino de Espanha presumia de espanholizar Catalunya. A pesar de que no ano passado invadise Barcelona com 6.000 policias, tratase de impedir a celebração de um referendum, actuasem com brutalidade as forzas represoras espanholas sobre pacíficos e indefensos catalães que o único que pretendiam era votar. Provas de carinho e estimação som a persecução e encarceramento dos líderes políticos catalans, a descalificação do povo catalão em geral, do boicote a seus produtos e de propiciar e facilitar o abandono do seu domicilio social e fiscal de empresas radicadas em Catalunya; e agora baixo penas de embargo, coimas e privação de liberdade impedir que podam governar os legitimos representantes do povo. Porque ja di o refrão espanhol que “quien bien te quiere te hará llorar”.

 

Não temos noticia de que ao longo da historia Catalunya houvese invadido Castilha nem o que posteriormente se chamou Espanha

 

Não temos noticia de que ao longo da historia Catalunya houvese invadido Castilha nem o que posteriormente se chamou Espanha, nem pretendese suprimir suas liberdades e instituições, nem encarcerase algum dos seus gobernantes. Será por esto que Espanha t'estima? O certo é que Catalunya não representa nengum problema; só de que se reconhezam seus direitos nacionais, entre eles a soberania, insistência evidenciada em feitos históricos como a proclamação da primeira República catalana em 1641, a resistencia ao exército do reino de Castilha em 1714, a proclamação do Estado catalão federado com a República Espanhola em 1873, de novo em 1931 proclamação da República Federada Catalana dentro da República espanhola, proclamação em 1934 por Companys da República catalana em federação com a República Espanhola e em 2016 proclamação da República catalana; não se lhe pode negar ao povo catalão vontade soberanista nem inteligencia política, pois nunca buscarom um rei para seu Estado soberano, ainda que sempre batesem com a obcecação e intolerancia, primeiro do reino de Castilha e depois do reino de Espanha (incluida a etapa franquista) que reprimiu pola forza os anceios de liberdade; só no marco da I e II República espanholas o desencontro resolveuse polo diálogo, excepto em 1934 en que o exército da República espanhola ocasionou varios mortos e arrestou a todo o governo do proclamado Estado catalão.

 

A vaga de anticatalanismo que inunda o Reino de Espanha e que a maioria da clase política, especialmente a governante, propicia e trata de exportar ao exterior, só consigue dificultar que esa maioria de catalães discolos apreciem que Espanha os estima. E no canto de fazer chança dos membros do legítimo governo por sair para o estrangeiro ou por modular suas declarações no Tribunal, deveriam voltar a vista aos discipulos de Cristo, tudos santos, que não só Pedro negou que o resto deles desaparecerom da sua terra.

 

Nunca buscarom um rei para seu Estado soberano

 

Não sou politólogo, mas resulta curioso observar como a maioria de gentes de Catalunya -convencidas do carinho que o Reino de Espanha profesa cara esse país- residem na faixa que nosso humorista social Xosé Lois “O Carrabouxo” imaginativamente define como “arrimadas”, a faixa com maior número de inmigrantes, gentes que fugiam da fame em Castela, Extremadura, Andalucia, etc. e que forom acolhidos e atoparom uma nova vida de redenção plena na nação catalana e agora voltam olhos para a madrastra patria que os condenou á emigração e berram “soy español, español, español”, porque sempre acabamos odiando a quem nos fizo um favor.

 

Com tudo isto as vezes medito: será melhor ser sumiso ou revoltado? Olho para o interior, para meu país, tão sumisso ele e comprovo que á vergonha da sumisão acrescentamos o desprezo com que se nos trata, o roubo ou destruIção dos nossoS recursos naturais, a marginação da nossa cultura e idioma, a condena á emigração e á miseria, a negação de qualquera medio ou obra que nos permita recobrar nossa economía... a revoltada Catalunya tivo mais oportunidades; tambem há que salientar que contou com gentes, com passoas que não dubidarom EM por em risco sua liberdade, economia, patrimonio e familia para recuperar a nação catalana.

 



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