Demonização dos nacionalismos periféricos polo prepotente nacionalismo espanhol O perigo fica de perto. Todo o panorama político espanhol fustiga os nacionalismos catalão, vasco e galego, com especial incidência sobre o catalão polas concretas circunstancias atuais, mas sem perder em absoluto ocasião nem circunstancia para hostilizar aos outros dois. Vivemos um momento perigoso porque todo o espaço político nacional espanhol, de direitas, esquerdas ou centro, se envolvem na bandeira vermelha e amarela tratando de demostrar cada um deles que é o mais nacionalista espanhol e que someterá, como fizerem os reis chamados Católicos, ás díscolas nações que pretendem recuperar sua soberania. Seu lugar comum e o berro de “a por ellos”

Resulta difícil opinar sobre um sumario declarado secreto. Difícil opinar sobre o que há de verdade em relação com os CDR. De inicio as noticias eram de que faltava o relato, é dizer, os antecedentes que justificavam a operação policial, inçado o informe de condicionantes como “poderiam estar preparados”, “supostos”, “substancias susceptíveis de...”, “orientada a esclarecer...”, etc., condicionantes que desapareciam nas noticias de imprensa que dava por feito a existência de “independentistas radicais que preparavam bombas para a sentença do proces” e titulares polo estilo; o tema era tão pouco claro que incluso o vozeiro de Jueces Para la Democracia duvidava de que o escrito do Ministério Público se adequasse á realidade por utilizar “uma contundência que não é próprio de uma fase preliminar...” e ter feito pública uma informação “exaustiva” quando o caso fica baixo segredo de sumario. Desde logo a “oportunidade/importunidade” da data escolhida para iniciar as detenções resultava suspeitosa como suspeitosas resultam todas as imputações a supostas implicações de Torra ou que servissem os detidos de correia entre o mesmo Torra e Puigdemont, como se necessitassem de mensageiros para comunicar-se. Sem atrever-me a deslegitimar a intervenção judicial, dado meu desconhecimento do contido do Auto iniciador e só as referencias dos médios, cada dia, e da própria realidade dos feitos, sem condicionantes nem suposições, tenho duvidas respeito do pretexto real ou aproveitado no inicio da intervenção. Tenho motivos para duvidar de um Auto da AN iniciando um processo e adoptando medidas para os investigados; recentemente foi detido (16.06.19) meu amigo Miguel Garcia Nogales no seguimento de uma causa contra Resistencia Galega, como suposto integrante da organização; o Auto consta de seis fólios dos que nos tres primeiros transcrevem-se íntegros artigos da Lei da Ajuizamento criminal, no quarto e parte do quinto refirese á sentença ditada em outra causa e só no final do 5º fala de Miguel porque, dí mas sem explicar o motivo, lhes consta que Manuel Sánchez mantem “una estrecha relación com Miguel Garcia Nogales” e que ambos “habian estrechado lazos em la gestión del aparato logístico y de apoyo a la organización terrorista imprescindible para los dos dirigentes huidos...”, além da suposta entrega por parte de Miguel a Xoan Manuel de um envelope de similares características ao que se ocupou a Maria Asunción Losada Cambra (uma das fugidas detida nesta operação); sem desvelar em que consiste o suposto aparato logístico nem o apoio nem tampouco se o envelope era o mesmo ou só semelhante, nem se era de características especiais ou normais nem o contido do ocupado. Pois bem com este bimbios, com apenas cinco linhas a ele referidas, acordam a prisão de Miguel que foi detido na sua casa de Ourense quando se topava em família e preparando um próximo exame profissional, e leva perto de quatro meses privado de liberdade sem outras acusações nem atenção às suas reclamações, disposto a declarar desde o inicio e ao que o Fiscal só fizo uma única pergunta de trámite; ocupouse-lhe um computador no que tem arquivado a totalidade de seus estudos e sobre o que nada se resolveu. Sobre este tema escrevia Suso del Toro em junho passado que “nestes dias o Governo difundiu novamente informações sobre uma operação da Gª Civil para desarticular Resistencia Galega. Deve ser muito difícil e de muito mérito desarticular um fantasma pois a tal organização segue a ser uma presença evanescente que aparece e desaparece a impulso do governo de turno em Madrid. Uma organização que nunca reivindicou sua existência, que não comete atentados e da que não se conhece nem sua organização nem o número aproximado de militantes e que só tem um nome, Resistencia Galega, posto pola própria policia do Estado é o mais parecido aos fantasmas”. A suposta existência de movimentos terroristas já forem empregados na Galiza para demonizar ao movimento soberanista

Tenho antecedentes bastantes para duvidar das motivações imputadas ao CDR detidos e para considera-lo como um intento mais de desacreditar e inculpar ao nacionalismo não espanhol. Não podemos prestar credibilidade a uma imprensa que não garante uma informação independente e temos que acudir a ler entre linhas para buscar a verdade e analisar os excessos, as incoerências, o obvio e os comentários de pessoas livres, informadas e de critério para desvendar o certo ou incerto das acusações, em mãos maioritariamente de imprensa ou justiça ainda herdeiras do franquismo. Porque as declarações dos principais líderes independentistas (Jordi Cuixart e Marcelo Mauri, de Omnium cultural, p.ex) reivindicam como obriga moral a “desobediência civil coletiva e não violenta”, matizando que “a ação não violenta não significa passividade ou inação”. O Presidenta da Cambra de Comerç de Barcelona fai uma reflexão tão lógica como considerar “lamentável que o Estado não seja capaz de formar governo para facer as reformas que necesita Espanha nem para dialogar com o governo catalán e o seja para reprimir”, Puigdemont afirma que “fabrican casos de terrorismo porque os independentistas não cairom na trampa das provocações e que a única resposta á represão é a liberdade”; ERC acusa da pretensão de asociar independentismo com terrorismo; ANC e Omnium proclamam “queren-nos atemorizados, mas ficamos em pé. Toda a solidariedade com as pessoas detidas hoje”; e a diretora de l’Ara, Esther Vera, no seu interessante artigo “Manual de supervivência” insiste em que “pese a todo o único instrumento legitimo é a perseverança, o debate de ideias, a persuasão e a denuncia da mentira”. Os 150 anos que nos separam do pensamento de Mahatma Ghandi não impregnarom a atitude dos governos e muito menos de esta ridícula monarquia, com seus figurantes, que padecemos

Podemos recolher no caso de Catalunya a suspeitosa coincidência de que o TC tumba se 30 projetos de lei aprovados polo Parlamento, segundo resume seu próprio Presidente Torra que destaca como “as decisões judiciais não mudaram a realidade social em Catalunya nem a opinião de dois milhões de catalães” e que “não é fácil para os catalães ver a seus líderes na cadeia” situação que mantém a ultranza a justiça espanhola a pesar de todos os requerimentos e opiniões da ONU da EU e de grande número de juristas e catedráticos de Direito Constitucional; e ainda a maiores volve o TSJC a investigar ao Conselheiro Buch e ao Delegado da Generalitat em Suiça em relação com o 1O, julgam a Torras e vários Alçaides, no TC não só se rejeitam recursos ou petições apresentadas polo Govern senão que incluso três magistrados que formulam voto particular a uma das resoluções, contrarias neste caso a um recurso de Jordi Sánchez, incrivelmente retiram seu voto particular “porque ofendia a seus colegas” (dos magistrados). Resulta penoso que ao acoso judicial se acrescente a escala de desqualificações e insultos por parte dos políticos que com suas ameaças demonstram resentimento e evidenciam sua escassa estatura como estadistas. Se os ânimos ficam encrespados seria o momento de baixar a tensão e não incendiala mais como no informe de Abogacia do Estado de que a Comunidade Valenciana não pode comunicar-se oficialmente em catalão com as Comunidades de Catalunya e Illas Baleares, empregando unicamente o castelhano.

Todos os posicionamentos dos diversos líderes políticos incidem na desqualificação dos nacionalismos transmitindo á cidadania um sentimento de ódio e de confrontação, especialmente no caso de Catalunya que por lógica deveria desembocar num “que se vaiam” em vez do insistente “não á secesão”. Corremos risco de que ilegalizem ás organizações soberanistas ainda que sejamos gente pacífica. De momento não nos podem ler o pensamento, mas podem criminalizar as manifestações críticas e nossos direitos de associação e reunião, pois para eles a Constituição é interpretável.

Correm maus tempos. Precisamos unir-nos.

Quinta do Limoeiro, outubro do 2.019