Há poucos dias lia no SERMOS as declarações de um moço respeito de que chegados os 40 anos existe uma mudanza no concepto de vida. Mais ou menos. Certo que a idade influi no nosso evoluir não só físico, mais se nossos princípios ideológicos som fortes não parece que haja motivos para muda-los ou incluso modifica-los drasticamente; lamentavelmente essas mudanças e modificações existem e temos exemplos concretos abondo.

Pessoalmente não experimentei nem as mudanças de década que afetam a muitos (até que cheguei á década dos 70) nem significativa mudança ideológica (alguns não consideram um signo de firmeza senão de imobilismo), mas observo em muitas pessoas de minha idade que abandonam uma militância que compartilhamos na época moça e incluso adulta. Gostaria lançar um berro, e que fosse assumido, para todos aqueles que gastamos juventude em lutar póla nossa nação galega para manter aquele entusiasmo e evidencia-lo publicamente, muito necessário agora que retrocedemos em direitos humanos e que regressamos ás cavernas, quando os chamados democratas “de toda la vida” demonizam aos que defendemos nossos direitos nacionais e pretendem incluso deslegitimar e ilegalizar os movimentos nacionalistas. Não é tempo de ficar na casa, ainda com o sentimento do dever cumprido em aqueles anos que sacrificávamos tempo de lecer e tranquilidade pessoal em conspirar, manifestarmos, espalhar cultura, por suposto galega, e sentimentos nacionalistas. É tempo de sair de novo as ruas a manifestar que temos sentimento de soberania, de que se reconheça que somos nação, que somos muitos a reclamar nossos direitos nacionais (língua, economia, ensino, tributação, cultura, historia... soberania) e que os anos não diminuíram aquelas arelas que evidenciamos na ditadura. Seremos ademais exemplo para toda a juventude que agora enche as manifestações.

Matinava nisso o passado dia 6 em Compostela, na Praça do Obradoiro quando repassava as significativas ausências no mosaico soberanista convocado polo BNG. Certo que são muitas as convocatórias e certo que para alguns os anos faz-nos mais cômodos e os deslocamentos mais molestos, porem eu botava em falta muita gente da própria Compostela e zonas geográficas mais próximas. Não podemos pensar que já irão outros, temos que ir nos. Seria oportuno pensar se ficamos desativados, muito perigoso á nossa idade polo que de decrepitude manifesta, ou desmotivados e neste caso deveríamos volver ao “Sempre em Galiza” deveríamos pensar no futuro dos nossos filhos e na rebeldia fronte á injustiça.

E ao fundo dos meus pensamentos, como algo permanente na minha vontade, aparecia a dificuldade que topamos para chegar a esses 3.000 pre-asinantes do Diario Galego que precisamos para sacar aos quiosques um jornal diário em papel, em língua galega, editado, distribuído, redigido e pensado desde Galiza e para os galegos. Desde o Conselho de Redação de Sermos Galiza creio que se realizaram todos os esforços possíveis para conquerir esse número de pré-suscritores, que só se fariam efetivos se num prazo de tempo que já em breve finaliza, chegávamos aos 3.000. O que semelhava objetivo fácil não está resultando tanto, a pesar das ajudas recebidas de pessoas individuais e instituições. Levas surpresas de gentes que desde fora do mundo nacionalista pensam que um pais que tem um idioma próprio não pode ficar sem um órgão de informação na sua língua; levas também surpresas de gentes que com economias limitadas fazem o esforço de 270 €/ano. E levas tremendas surpresas de gentes do nacionalismo e com possibilidades econômicas (hoje dificilmente topas uma economia boa na gente do comum), que por desídia, por não sentir a necessidade ou não acreditar no projeto, retrasam remeter a folha de subscrição preenchida ou incumplem a promessa de envia-la ou alegam as mais pintorescas desculpas para não participar no lançamento. Resultam alarmantes as ausências, muitas vezes mais por desleixo ou preguiça que indiferença fronte á possibilidade do jornal na rua.

Gostaria ficar trabucado, mas comprovo com surpresa a ausência e falta de colaboração no projeto por parte dos movimentos reintegracionistas; exceto AGAL (da que fui fundador, membro da Diretiva e sigo a ser sócio) que tivemos conversas, nemguma das varias Associações que participam da integração na ortografia padrão mostraram o mínimo interesse por participar, colaborar ou ajudar no desenrolo e consecução do proposito, porem algum membro de essas associações a título pessoal. Opino que a proposta reintegracionista precisa ser visibilizada, transcender socialmente, sair dos pequenos círculos culturais nos que se move para chegar a toda a população que, polo menos, tenha ideia da sua existência e do que significa e ventajas que podem tirar-se da imersão na gramática e ortografia internacional do galego português que abrirá portas a milhões de falantes em diversos países e á sua literatura. O Diário Galego pode ser um veiculo de divulgação da proposta lusista e da participação no mundo da lusofonia, espaço linguístico natural do galego; já não seriam revistas mais ou menos especializadas e de distribuição limitada senão um jornal que seria lido por milheiros de pessoas de toda condição cultural.

Andamos no limite do tempo. Agora é o momento; se não conseguimos resultará problemático no tempo que volva a existir uma vontade para iniciar outro projeto semelhante; perderíamos a oportunidade de soberanamente demostrar que também no somos capazes de ter uma imprensa diária na nossa língua a pesar de todos os atrancos e denegação de ajudas por parte da Administração; teremos um produto próprio, independente e transparente.

Volvo ao inicio. Precisamos, precisamente para não cair na desídia e na renuncia, para seguir vivos, rearmar-nos politicamente, motivar-nos e pensar que ainda podemos dar muita guerra e podemos demostrar que a Galiza segue viva, nos maiores e também nos mais novos.