O passado 28 de Junho num evento do Forum Europa, em Vigo, apresentei a Miguel Anxo F. Lores, alcalde de Pontevedra, que falou sobre o trabalho realizado na cidade do Lérez por ele e sua equipa no ámbito urbano e viario para conseguir um modelo de cidade mais humana e mais amavel, como é actualmente Pontevedra.

A Conferencia de Lores foi bem artelhada, entretida e com muitas referências ás estratégias, estudos, referentes, erros e acertos, a importancia das estratégias, tomar decisões correctas e ejecutalas, não deixarse arredar polas dificuldades ainda que se temam custos eleitorais, confrontar planos e asesorias com outras aportacions,  a aposta pola qualidade urbana feita em Pontevedra e que foi desenhada cuma análise de tendencias de futuro, etc., que os assistentes, com lotação completa do local, escoitarom com interese e em profundo silèncio. 

Rematada a exposição abriuse um turno de perguntas que obtivo importante número de intervenções com varias interpelaciões interesantes e directamente relacionadas com o tema desenvolvido e outras referidas a temas concretos como o sempre tan manido e insistente qual Audasa e a autoestrada e o de Ence, que com maestria respostou Lores.

Ao acordar no dia de hoje busquei em Faro de Vigo a resenha do acto e minha surpreesa foi que numa muito breve nota recolhe como principal afirmação de Lores que renega de “la vacua consigna del independentismo importada de Cataluña”. Esta interesada e subjetiva (des)informação espoleume para buscar a notícia em outros medios, asím que acudím a La Voz que, como sempre, orgulhosamente nos ignora, e ao Atlantico Diario e  El Correo Gallego; em ambos a referència fundamental é “Lores se desmarca del modelo independentista de Cataluña” no primeiro; e “Lores el hereje", no segundo.

Ao acordar no dia de hoje busquei em Faro de Vigo a resenha do acto e minha surpreesa foi que numa muito breve nota recolhe como principal afirmação de Lores que renega de “la vacua consigna del independentismo importada de Cataluña

 

Diario Atlántico, ainda que destaca em primeira linha e grandes caracteres pretos o texto antes referido, outorga um espaço amplo, página inteira, para analisar tanto o contido da conferencia como, especialmente, os comentarios no coloquio. No Correo, a coluna de Carlos Luis Rodríguez tivo como único tema de comentario que marcou distancias “con las vacuas consignas del independentimo”, destacando em vermelho que “abjura del independentismo”, mentras nos acusa de colocar a Galiza num chanzo inferior, quando é ele que se situa, como típico colonizado, sumiso a os intereses e incluso ao idioma do centralismo.

Ao longo da conferencia  desgranáronse polo miúdo todos os trabalhos realizados e aportações efectuadas polo grupo municipal, insistindo Lores na importancia do trabalho em grupo e de escoitar as ideias que podam contribuir ao éxito do projecto. Numa altura determinada Lores manifesta que “aprender de todo o mundo, si; e con a maior intensidade, pero mimetismo e solucions importadas acríticamente, nunca, sexan de Bruxelas, Madrid ou Barcelona. Galiza necesita non as que estean de moda noutros lugares, sexan o europeismo acrítico depois de que a entrada na UE nos desmantelase o noso tecido produtivo, a totémica remunicipalizacion importada dum conflito sindical madrileño e que ninguén demostrou seriamente sua viabilidade legal nen tan sequera a súa oportunidade, a vacua independencia galega importada de Cataluña ou os erros máis concretos que antes describín”. Esta, a vacua independência..., foi a frase aproveitada por mentes retorcidas para demonizar e distorsionar a ideologia nacionalista do BNG, acusando incluso de hereje a Lores.

Não sou, nem ele o necessita, exegeta de Lores, mas no contexto da frase, relacionada com o sentido de toda a intervenção, o que aparece evidente é que nosso independentismo é realmente, ou deve ser, autóctono e que não precisamos de tomar modelos. Eu mesmo na apresentação manifestei, fronte á irrelevancia política e económica de Galiza, que se queriamos a Galiza no mundo, não dependia de Madrid nem de Bruxelas senão de nos mesmos, como ser Pontevedra uma cidade com ilusão e projecto proprio dependeu de Lores, sua equipa e um importante número de cidadaos pontevedreses. En ningum momento cualificou Lores de “vacuo” o sentimento independentista senão a trasposição dos modos de otras latitudes á nossa.

Não sou, nem ele o necessita, exegeta de Lores, mas no contexto da frase, relacionada com o sentido de toda a intervenção, o que aparece evidente é que nosso independentidmo é realmente, ou deve ser, autoctono

 

As palavras às vezes as carga o demo, se existe intenção de utilizalas como descalificação. Pode que o termo “vacuo” ligado com “independência” dê pé a “colher o rábano polas folhas” e certamente depois do acto comentamos Cipriano Jiménez e mais eu com Lores que poderia ser maliciosamente interpretado sacándoo de seu contexto, mas sem pensar que poderia chegar a este dislate de mixtificação.

Desde que se iniciou o “proceés” debim escrever mais de dez artigos de opinião favoráveis ao movimento independentista catalão, mas em nengum caso sugerim traspor a Galiza aqueles modos de actuar, ainda desde a minha optica de independentista, como tampouco o fai o Pais Vasco, pois cada lugar necesita seu procedimento adequado. Seria realmente “vacuo” copiar o método que podam seguir outros paises, outras nações ou outras comunidades para lutar pola sua independencia. 

Eu que estava alí, que tambem o escoitei e que levo o independentismo como sinal de identidade, podo acreditar que ninguem definiu como “vacuo” o sentimento de independência.

Para os medios, irrelevancia do fundamental e aproveitamento interesado do que se pode retorcer.

Quinta do Limoeiro, junho de 2018.



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