Asim Marga, porque tu não precisas apelidos ainda que teu nome poda ser repetido. Uma inoportuna efermidade impediume celebrar contigo o merecidísimo reconhezimento que Galiza te fai a través do Premio Otero Pedrayo e tambem me demorou em escrever sobre a alegría que sinto porque ao longo do tempo se te vai reconhezendo publicamente, polas instituições e Fundações, a valia que demostras-te em diversos eidos da política e da cultura. Ainda que para mim  o eido principal é o humano.

Conhezim a Margarita Ledo quando era pouco mais que uma nena, por intermedio de Manuel Maria e Saleta. Rapaza alegre e decidida que ja tinha beiras de inconformismo e promesas de enriquecer as letras galegas. Muito nova (apenas 18 anos, facendo jornalismo em Barcelona) publicou o poemario “Parolar cun eu, cun intre, cun inseuto”, na Colección Val de Lemos, de Ediçions Xistral, aquela aposta editorial que com mais vontade e mestria que apoios económicos emprendera Manuel Maria em Monforte e na que ja tinham publicado Lois Diéguez, Neira Vilas, Celso Emilio Ferreiro, Xohan Cabana e o proprio Manuel Maria. Eran épocas nas que os galeguistas sentiamonos com uma relação quasi familiar e a pequena familia ou mínima tribo  que podiamos formar em torno a Xistral sentimos a alegría de que savia tanto nova e pessoa tanto querida entrase no mundo das letras com aqueles versos. Eram épocas nas que sentíamos o calor humano e emocional que nos cinguia no sentimento por Galiza e que propiciava uma relação mais pessoal; por aquela altura Lois Diéguez penso que cumpria o servizo militar em Ourense, Paco Rodríguez era profesor num Instituto, Blanco Amor ja retornara a Ourense, Sanxoas trabalhava con meu escritorio, Manuel Maria vinha con frequencia a Ourense e todos conformavamos na minha casa uma tertulia na hora do café, e, naturalmente, alí celebramos a publicação  Depois  chegou, tambem em Xistral, “O Corvo érguese cedo”, logo ja em prosa aparecerom “Trasalva ou Violeta e o militar morto” e o dramático e de denuncia “Porta Blindada”.

Eran épocas nas que os galeguistas sentiamonos com uma relação quasi familiar

 

Não vou fazer uma relação das publicações de Margarita. Só falar algo da sua atrevida vida que, penso, alcanzou sua cimera naquele nefasto ano de 1975 ano do asesinato de Reboiras, a queda da UPG e a fugida de muitos militantes para librarse das gadoupas da policia política e dos mesmos Julgados. Margarita, ao cabo muito distinguida pola sua actividade política, fugiu a Portugal atravesando o Minho e não precisamente a “bragas enjoitas”. Sua militancia levouna a incomodidades e perigos e incluso ao exilio. Em Portugal, durante o exilio, trabalhou na Universidade de Letras de Porto como leitora de galego, aproveitando para fazer nação mediante as “Xornadas de Cultura Galega”. Dirigiu “A Nosa Terra” e recebeu premios que evidenciam seu bom fazer e sua entrega no  nacionalismo da nosa nação: O Nacional de Cine e Audiovisual, dos Premios da Cultura Galega, o  ”Bos e xenerosos” dos seus colegas da AELG, o “Facer País”, do Ramón Piñeiro, e agora o  “Otero Pedrayo”

Margarita, além de ter publicado verso e prosa e literatura juvenil, de opinião e colaborado em múltiples revistas, vem adicando ao cine grande parte de seu esforzo, como directora e produtora. Há varios anos que na sua constante inquedanza decidiu retomar e revitalizar uma velha estrutura de productora cinematográfica que alá pola década dos 70 haviamos constituido um fato de visionarios que decidimos que no firmamento cultural galego faltava o cine e constituimos a Productora Cinematográfica NOS, de corta vida por falecimento do seu principal impulsor, Carlos Varela. Dos fundadores só ficavamos com vida o psiquiatra Cipriano Jiménez Casas e mais eu; Margarita e seu irmão Xosé Lois há poucos anos propugeron-nos a ambos retomar o projecto e aquí está a “Produtora Cinematográfica Galega NOS, S.L.” na que, além de series para a TVG, Margarita dirigiu longametrages como o “Santa Liberdade”, “A cicatriz Branca”, “Liste, pronunciado Lister”, etc.

É a primeira mulher em receber o Premio Otero Pedrayo.. Não quer dizer que seja a primeira mulher que o merece. Mas a evidencia chega a tal ponto em alguns momentos em que resulta imposivel continuar pechando os olhos á importancia das mulheres na vida cultural de esta nação e ja não podía pasar o caso de Margarita. Tambem algum dia, a pesar da intolerancia de muitos, será inevitavel dar o Ano das Letras Galega a Carvalho Calero.

Margarita é fulcral na vida cultural galega. Mas, para mim, o mais importante de Margarira é sua pessoalidade, sua solidariedade e sua maneira de ser amiga. Sempre agradecer-ei sua amizade.

Quinta do Limoeiro, abril do 2.018