Resultou-me chocante a coincidência. O passado 24 de fevereiro foi o 182 aniversario do nascimento de Rosalía (24.02.37) e dous dias antes tive conhecimento da sentença ditada polo Tribunal Supremo de esse reino que chamam Hespanha restringindo e modificando o uso do galego das Ordenanças Municipais de Lugo.

A coincidência foi porque me veu aos miolos o poema “A xustiza pola man” no seu livro de “Cantares Gallegos”, saídos do prelo o 17 de maio do 1.863. 182 anos desde o nascimento de Rosalia e 156 do seu poema e nada mudou, nem no respeito á fala. No poema de Rosalia: uma velha laiaba-se que “aques que tem fama de honrados na vila/ roubaronme tanta brancura que eu tiña/ botaronme estrume nas galas dun dia... ¡Salvademe ouh xueces!, berrei ¡Toleria!/ de mim se mofaron, veudeume a xustiza...” 156 anos mais tarde uma velha língua, mas poderosa, quarta falada no mundo com perto de 260.000.000 de falantes, língua de prestigio, com prêmios Nobel entre seus literatos, pero que sobrevive no solar de seu nascimento, assobalhada por outra língua estrangeira, colônia de outra nação forasteira, associações “com fama de honrados na vila” roubam-lhe a brancura e lixam seu direito a expressar-se livremente e a manter sua dignidade de língua de um povo: e o berro pedindo ajuda aos juízes já vemos que resultados da. Uma sentença de mofa. Limitar, reduzir, dificultar e estorvar o uso normal do Galego, uso ao que temos direito todos os galegos tanto por direito natural como por ficar assim reconhecido nos acordos internacionais assinados pola Monarquia Borbónica (Carta Europeia das Línguas minorizadas).

Sentença que não só satisfará á Associação demandante senão também a esse governo dependente que se ocupa de despersonalizar a esta nação

Sentença que não só satisfará á Associação demandante senão também a esse governo dependente que se ocupa de despersonalizar a esta nação, mais antiga que a própria chamada Hespanha, despojando aos súbditos de seus direitos nacionais e humanos. Conseguirem privar aos galegos de toda a propriedade acumulada nas Caixas de Aforros vendendo seu patrimônio (patrimônio de todos os galegos) á empresa privada e estrangeira, conseguirem o abandono do empresariado galego, venderam a riqueza hidroelétrica, venderam a pesca, arruinarom o rural e teimosamente tratam, desde anos trás, de excluir da normalidade o uso da nossa língua. Por se os inimigos fossem poucos também, como no poema de Rosalia, vendeu-nos a Justiça. A mesma que há pouco bailava a “yenka” de quem pagava os custos do imposto de atos jurídicos documentados nas hipotecas, o devedor ou o Banco.

Certamente o problema do galego segue a ser a prepotência unificadora que se pretende desde o centralismo unido ao autodio que conseguiu gerar em grande parte da população mediante o argumento de que falando castelhano se evidenciava ou aparentava um status superior.

Na Constituição espanhola já se rebaixa a categoria das línguas nacionais na sua comparativa com o castelhano

Na Constituição espanhola já se rebaixa a categoria das línguas nacionais na sua comparativa com o castelhano; e na praxe incumpren-se todas as obrigações que tanto por natureza como por compromissos internacionais adquiridos som do constrangimento tanto do governo do Estado como do governo da nação galega penosamente representado pola Xunta e cobardemente seguida por uma Academia da Língua mais preocupada do pessoal (como a indefinida vingança contra Carbalho Calero) e da boa relação com os poderes públicos. Para rebaixar o idioma já se desprenderam de sutilezas, agora vai-se diretamente a mata-lo. Leva-se polo resto do Estado a falsia de que o castelhano corre perigo na Galiza, quando todos os indicadores evidenciam que o que reduze notoriamente o número de falantes é o galego, mas esta falsidade dá pulos ao centralismo para manter sua cruzada contra as línguas nacionais. E como idioma soberano também é politica, entra em jogo a Justiça como em outras questões políticas. Escuso-me da analisar a sentença porque já no Sermos fai-se uma pequena síntese.

O poema de Rosalia, que já no título nos adverte da justiça pola mão, finaliza com a velhinha afocinhando aos culpáveis. Neste caso somos nos os que temos também que tomar a justiça pola mão em defensa da soberania da nossa velha língua, empregando como fouce vingadora o voto a depositar nas próximas citas eleitorais.