Já não escoito as tertúlias radiofônicas nem televisivas. Só vejo jornais com novidades locais (e as imprescindíveis necrológicas). Evito qualquer noticia sobre declarações políticas de políticos. Rejeito já de longe comprovar a listagem de pretendentes a deputados, senadores, concelheiros e demais especímenes. Mas resulta impossível evadir-te ás ocorrências diarreicas dos que, para nossa desgracia, pretendem (e algum o vai conseguir) governar nossos destinos num próximo imediato. E resulta igualmente impossível iludir esta constante regressão dos direitos fundamentais.

 

Por precavido que podas ficar resultou impossível não escutar a parida do Sr. Adolfo Suarez Illana verbo do aborto e a particularidade dos Neandertais que, segundo ele, o praticavam  cortando-lhe a cabeça aos pequenos ao sair do útero materno. Que desperdício de nove meses de gestação! E por se fora pouco o Sr. Gª Egea, penso que Vice-secretário do PP, no programa de Ana Rosa, perguntado por essa declaração esquivou-a contestando que o que se pretendia com a pergunta era tapar as declarações do Sr. Iceta sobre a autonomia catalana no caso de que alcança-se o 60% dos votos; só depois de vários rodeios declarou que o aborto deveria sair do âmbito eleitoral. Este Sr. Suarez faz-lhe fraco favor a seu pai utilizando sua figura indignamente em proveito próprio do mesmo jeito infame que o faz o PP para atrair aos nostálgicos levando ao filho de número dous, só por diante o Sr. Casado, evidenciando que partilham sem matizes a mesma ideologia: reforma da lei do aborto, entre outros.

 

Impossível desconhecer o culmem da sabedoria na Resolução da Junta Electoral Provincial de Barcelona, repressiva, que proíbe á TV3· dizer as palavras “presos políticos”, “juicio de la represión” e “exiliados”

 

Impossível desconhecer o culmem da sabedoria na Resolução da Junta Electoral Provincial de Barcelona, repressiva, que proíbe á TV3· dizer as palavras “presos políticos”, “juicio de la represión” e “exiliados”; até as palavras normais são objeto de censura. Exilado, segundo o Dic. Jurídico da RAE é o “1.expatriado, generalmente por motivos políticos”, polo tanto o termo é o adequado aos líderes nacionalistas catalães em Europa, sendo inapropriado o de “fugidos”. Essa atitude de ódio que tanto se utiliza atualmente engloba também a Resolução da Junta Eleitoral Central que pede sancionar ao ente público TV3 pola cobertura prestada á concentração nacionalista em Madrid por, supostamente, vulnerar a neutralidade informativa; penso que cada cadeia de TV pode escolher o tratamento que mais difusão de á noticia, polo que se outras cadeias consideraram de mais importância outros espaços e dedicarem pouco á manifestação será da sua exclusiva competência; a TVE, p.ex, deu-lhe ampla cobertura.

 

E que quereis que vos diga da também Resolução da JEC para a retirada dos laços amarelos dos edifícios públicos?. Não só as palavras, também os colores vulneram a neutralidade informativa. O tratamento do problema catalão vai de dislate em dislate, agravando e alongando sua solução, nesta carreira de quem mostra mais ódio não só aos independentistas, senão também  a um povo que a JEC considera espanhol, mas que não tem o mínimo reparo em sanciona-lo. Curiosa mostra de carinho fraternal. Bom, pois agora aguardo coerência com a solicitude formulada á JEC por parte da Federacion Estatal de Foros para La Memória para que ordene a retirada imediata da totalidade da simbologia franquista que ainda pervive nos espaços públicos de toda Espanha, ou pelo menos que seja tapada, durante o período de eleições, segundo a LOREG (lei orgânica reguladora das eleições gerais) por vulnerar igualmente o principio de neutralidade política, seguindo o critério da própria JEC com os laços amarela e bandeiras esteladas em Catalunya, já que favorece a paridos de simbologia e ideologia franquista que igualmente se apresentam ás eleições. A solicitude amplia-se igualmente a que se feche ao público o Valle de lós Caídos até depois do período eleitoral no que ficamos imersos.

 

O nervosismo que produze Catalunya, e ainda mais fora de Espanha, jogou uma mala passada ao Sr. Borrell

 

Ficam nervosos. Quem, ainda que tape os ouvidos, não escutou falar do rebote do Sr. Ministro de Exteriores espanhol, Sr. Borrell, ante a pergunta numa entrevista em radio alemã por parte do entrevistador da existência de um 70% de espanhóis favoráveis a modificar a Constituição? Certamente segundo o último inquérito do CIS o 70% dos espanhóis estimam necessária a reforma da Constituição, logo a pergunta é correta; a resposta igualmente correta, sem aspaventos, seria que sendo certo a percentagem também é que o jeito da reforma na resposta admite muitos matices (autonomias não ou com mais competências, federalismo, independência, etc.). O nervosismo que produze Catalunya, e ainda mais fora de Espanha, jogou uma mala passada ao Sr. Ministro.

 

E claro, como ignorar o tema de Mexico e seu pedido? Olha que levantou ampolas. Foi o “oigo pátria tu aflición y escucho el triste concierto” neste caso tocando a rebato do nacionalismo espanhol, a ver quem é mais nacionalista. Espanha teria que pedir perdão por todo o genocídio americano; e não passaria nada a não ser maior grandeza no reconhecimento dos excessos da conquista. Fico pampo quando escoito, como argumento contrario á petição de perdão, que México não existia quando o descobrimento; nossos políticos presentes e futuros provavelmente teriam que ler algo de historia. O atual México era antes de chegar os colonizadores espanhóis mais ou menos o reino mexica ou azteca; a capital México DF erguesse sobre as ruínas da cidade mexica chamada Tenochtitlan, e os habitantes de esse fabuloso império, os indígenas, forem mortos ou submetidos a escravitude e a povoação indígena que consegui sobreviver ás duras condições de opressão viu-se submetida a um processo de evangelização e colonização de 300 anos. Também segundo outro argumento, não forem os espanhóis só os que submeterem aos aztecas senão que contarem com outros indígenas como aliados; bom, sempre há traidores, mas esses indígenas aliados pronto forem igualmente submetidos e escravizados.

 

Não é vergonha reconhecer os erros; entendo que os filhos só podemos liberar-nos dos erros dos pais se pedimos perdão e restituímos aos prejudicados aquilo no que puderam telos prejudicado nossos pais e que nos recebemos. E com mais razão os que se chamam reis tenhem que assumir os erros de seus antecessores, aos que devem (com a colaboração parvijolada de alguns súbditos) continuar zugando riqueza do país no que reinam. Vários são os que pediram perdão polos excessos de seus antepassados, podemos mencionar incluso á Igreja polos excessos de os Cruzados ou da Inquisição, ou ao Japão póla escravitude sexual na 2ª Grande Guerra, o Reino Unido aos países caribenhos polo tratamento dado aos nenos chegados também depois da 2ª Grande Guerra, Canadá a Israel por haver rejeitado um barco com 907 judeus que fugia dos nazis, Holanda pólas vitimas de Srebrenica, Alemanha pediu perdão ao Parlamento de Israel póla perseguição e holocausto de judeus no período nazi, etc. Porque o Reino de Espanha não pode fazer um gesto de modéstia e achegamento aos povos indígenas massacrados, escravizados e com todas as carências que ainda agora arrastam, reconhecendo que os métodos empregados na “colonização” forem maiormente de rapina, domínio, submetimento.

 

O Rei de este Reino é responsável dos excessos do franquismo

 

Os reis são responsáveis dos prejuízos ocasionados pelos seus antecessores, dos que trazem e herdam a coroa. No presente eu penso que o Rei de este Reino é responsável dos excessos do franquismo, já que tanto ele como seu pai trazem de Franco o feito de reinar em Espanha, como o atual e igualmente responsável de todo o capital acumulado, segundo noticias de imprensa e que figura em causas judiciais, polo seu pai a costa de este seu Reino.

 

E desde logo no que penso necessário que pedem perdão é ao povo Saharahui, traído e abandonado á sua negra sorte, entregado atado de pés e mãos á satrapia de Marrocos, reino invasor e colonizador, traição a esse povo consumada com a assinatura do entonces Rei na substituição do Ditador.