Não contrataria a Pedro Sánchez como augure, profeta nem vaticinador; o futuro para ele é matéria desconhecida e inescrutável; posto a reconhecer-lhe algum valor pensava que podia ser hábil negociador, virtude que deveria esgrimir agora depois do rotundo fracasso na possibilidade de formar governo na falida legislatura anterior e depois do fiasco na repetição de eleições. Foi capaz de dizer não so “onde dixe digo digo Diego” senão incluso “onde dixe digo digo, p.ex. Antônio” e abraçar sem reparos nem explicações a lógica aliança com UP, que anteriormente rejeitara, e sem que conheçamos que agora use hipnóticos para dormir.

Mas resulta imprescindível a colaboração, ainda passiva, dos partidos nacionalistas, incluídos, ou sobre todo, os de Catalunya e muito designadamente o de ERC. Se fazemos um pequeno repasso de todos os acordos tomados polo único ou conjunto poder existente neste surpreendente reino borbónico (legislativo-executivo-judicial) não sairemos do pasmo de ver todas as provocações de esse poder único, englobado no Governo detentado polo PSOE, fronte aos anseios e propostas catalanas. Mas a gota que reborda o vaso penso que chegou ontem, dia27, na Mesa do Congresso e que me fai pensar que pode ser o principio de outro caminho no mundo das alianças do Psoe ou, polo menos, que o tema da negociação para novo governo começa com mau pé ou que vai com o passo cambiado. O Psoe aprova a censura digital e tem como aliados, que votam com ele e facilitam a aprovação, ao PP e Cs; e um vergonhento UP que não se atreve a plantar cara e que, para escenificar a continuidade da aliança, abstém-se. Este decreto contra a “república digital” é uma pedra no caminho da coalizão e diálogo em Catalunya. Este Decreto, entre outras medidas, permitirá ao Ministério de Economia intervir webs por motivos de seguridade sem ordem judicial, intervenção digital ao amparo do artigo 155 CE e obrigar ás webs do Estado a estar registadas necessariamente em Espanha, impossibilitando-as do seu registo em paraísos digitais. O governo do Psoe, incapaz ou desinteressado até agora de derrogar a “lei mordaça”, impõe outra lei mordaça, agora a lei mordaça digital, como foi já qualificada por ERC. Todo no inicia das negociações Psoe/ERC no Congresso; JxCat já também advertiu que “o decreto digital não lhe vai sair grátis”, perguntando Josep Puigneró a UP “se é este o governo progressista que querem”.

Não parece que a resposta de Nadia Calviño a Irene Montero, que advertia de possíveis vulnerações de direitos, de que “agardava desenvolver o marco normativo digital na própria legislatura e possível inclusão de algumas aportações” seja suficientemente tranquilizador.

Em qualquer caso o Psoe coloca uma pedra de grande tamanho no caminho da investidura, suspeitosamente com a colaboração necessária do PP e do Cs, que são os adversários ideológicos... ou polo menos isso era o que pensávamos. Ada Colau em twiter expressa que “isto é um grave ataque aos direitos e liberdades fundamentais, não o podemos permitir! Há que freá-lo em internet, nos tribunais e nas urnas o próximo 10N” e CripticaOrg. em “elpais.com” dí que “estivemos analisando este Decreto Lei (tramitado pola via de urgência) e não podemos chegar a uma conclusão diferente a: Acabam de aprovar a “PATRIOT Act” espanhola. Abrimos fio para explicar as implicações de este “Estado de exceção digital”. Já tampouco me parece Pedro Sánchez tão hábil negociador, mais bem empezo a pensar se terám razão os que o alcumam de trilero.

O centralismo é o centralismo que reforça o espanholismo. Basta com escoitar ontem ao ínclito Garzon desqualificando aos nacionalismos periféricos, que obtivo já cumprida resposta por parte de Ana Pontón (sempre atenta e rápida). Essa gente de UP/EU som os aliados dos nacionalistas que no seu dia se escindirom do BNG; teriam que revissar a conveniência de certas alianzas.

Meu Deus, que medo do que pode vir, tanto de chegar a acordos para formar novo governo como de vernos abocados a novas eleições. Nenhuma esperança.