Pode que não tenha nada que ver uma com a outra cousa. Pode que se me critique por mesturar churras com merinas. Mas o certo é que esta manha, quando vim nos jornais o tratamento do falescimento de Albor, com essa cultura de incensar aos mortos, não pudem por menos que comparalo (que lhe vou fazer se me veu á mente) com o já há muitos anos falescido Carvalho Calero.

Falamos de piedade com os mortos, generosidade, benevolencia... e baixo toda esta cultura da morte entendim (que não justifiquei) todas as manifestações de loa, apologia, enaltecemento de persoeiros entrevistados e mais de articulistas e escrevedores a prol da vida e periodo de governanza de Fernández Albor, pedra fundamental da autonomia galega, segundo manifestavam. Todas excepto o artigo do inefável e procaz presidente da Xunta. Sem acodir á sempre temivel hemeroteca, fiando só na minha cada vez mais escasa memoria, eu lembrava críticas bem azedas sobre vida e política incluso procedentes dos mesmos panegiristas de agora. Está bem este respeto polos mortos, ainda que temos que reconhezer que ja não podem ser diferentes do que forom quando vivos.

Pois veuseme aos miolos, por ter sido outra vez despreciado protagonista nestes dias, Carvalho Calero, que não conseguiu nem no longo tempo da sua morte essa piedade, esa generosidade que se predica para os mortos nem ainda a simple justiça á que temos direito qualquera ser humano. A RAG mantem a paulinha sobre um home sobranceiro no eido da cultura galega, do estudo do idioma, ainda não superado por ninguem nos estudios filológicos, e de amor á patria. A RAG nem sequera é indiferente, é contumaz na afrenta e manteno reiteradamente como candidato desairado para o Ano das Letras Galegas, em competência com outras propostas, em ocasiões de muito inferior valia ou que nem som merecentes da distinção, para desbotalo ao final e marcar asim a diferência e o menosprecio que envolve uma boa dose de enveja.

A RAG mantem a paulinha sobre um home sobranceiro no eido da cultura galega, do estudo do idioma

 

Por curiosidade abrim o Google com “Fernaández Albor” e deume estas entradas: “Fernández Albor narcos”, “Fernández Albor fariña” e “Fernández Albor luftwafe” e aberta esta última confirma que recebeu tres condecorações, só concedidas en acções bélicas; e na biografia figura que lhe chamavam “merendinhas” e que pasou mais de tres anos cobrando 75.000 € no Conselho consultivo de Galiza sem pisar a sede do Conselho. Indudavelmente tambem há que concederlhe virtudes. O que resulta insufrivel é o artigo como panegírico do Sr. Feijoo porque Fdez. Albor representava todo o contrario de aquel, manifestava ser “galego de nación, espanhol por historia e europeio por cultura”, era um home da cultura galega, certo que como Piñeiro e Gª Sabell, e muitos outros, reducíase á cultura e ao idioma, sem reconhezer que a colonização espanhola ripava cultura e lingua galegas para liquidar definitivamente nossa pessoalidade; Feijoo significa o envés, o desprecio á cultura e lingua galegas e o sometimento ás políticas impulsadas polo centralismo; só tenhem ambos em comúm o trato com o narcotráfico.

Fdez. Albor representava todo o contrario de Feijoo manifestava ser “galego de nación, espanhol por historia e europeio por cultura”

 

Se abres o Google em “Carvalho Calero” as entradas som “Carvalho Calero Scorpio”, “Carvalho Calero frases”, “Carvalho Calero Letras galegas”, onde podes detectar todo o rencor da RAG para este patriota, este filólogo excepcional, este home entregado ao serviço de Galiza. Nem a morte lhe serviu para desculpar-lhe seu inteligente achegamento ao reintegracionismo. Eu não digo que Antón Fraguas não merecera ser agasalhado com o Ano das Letras Galegas, mas a categoria política e intelectual de Carvalho é superior e incluso morreu nove anos antes.

Bom,  pode que nada tenha que ver uma cousa com a outra, tampouco trato de facer umas “mortes paralelas”, só que me veu á mente pola próximidade no tempo dos dous acontecimentos

Admito críticas, incluso malévolas.

Quinta do Limoeiro, julho de 2017