Havia tempo que não sabia de ti, Pencha. Mas eu, e suponho que também tu, sabíamos que estávamos aí, que nossa amizade sobardava qualquer distancia física ou de lugar. Mal pensava que esta minha última carta já não ia ser escrita em vida nem a ias ler.

Vai para 45 anos em que eu cheguei a Viveiro para ajudar na luta contra a implantação da Alúmina em São Cibrão e Cervo, luta dos vizinhos na que tu enchias de coragem com tua simpatia, teu atrevimento e teu liderazgo, com a segurança, tranquilidade e confiança que davas a aquelas gentes angustiadas pola perda da sua economia tradicional arruinada pola chegada da empresa contaminante.

Nas minhas reuniões com os afetados para preparar ou antes de assistir aos juízos penso que a gente me escoitava com igual credibilidade só porque tu estavas ao meu carom e tua presença infundia total alento; eu também sentia igualmente a tranquilidade que me transmitias em plena repressão social e policial. Quem poderia esquecer-te no nascimento das Comisions Labregas, da UPG na Mariña, na vida do Clube Valle Inclán, na nuclear de Xove e a marcha/protesta dos 8.000 desde Viveiro a Xove.

Desde o primeiro dia em que te conheci senti que eras alguém especial, que te fazias respeitar e querer ao tempo, de fortíssima pessoalidade e cheia de sentimento. Remataram aquelas lutas com derrota, fizemos todo o que estava a nosso alcance e conseguimos alguma vantagem.

Depois já coincidimos menos, ainda lembro que me convidaras a uma Romaria do Naseiro na que tu reinavas entre a simpatia e afeto da gente. Mas a distancia ou os escassos encontros não limitaram em absoluto nossa amizade nem a admiração que eu sempre senti por ti. Deixaste-nos antes de tempo Do mesmo jeito que tiveste vida em mim, a pesar da distancia e alongamento, seguirás viva no meu sentimento, na minha admiração e no meu respeito.

Não é tópico se hoje devemos dizer que se nos foi uma boa e generosa.

Continuamos, Pencha. Um abraço.