Quando tanto há que comentar no evoluir político e social de Galiza e do Reino borbónico vem a cobrar relevo Bolivia não só polo seu golpe de estado, o total desprecio á legalidade a brutalidade da repressão, senão fundamentalmente polo ataque á dignidade das pessoas e aos direitos humanos, sem o mínimo dissimulo, porque em toda ação golpista o principal aliado do golpe é o terror (temos como exemplo mais direto o de Franco); os conjurados, ultracatólicos, burgueses e universitários, com apoio das Forças Armadas e da Policia, disfrutam humilhando publicamente aos dirigentes indígenas, queimando sua bandeira, obrigando ás mulheres indígenas a ajoelhar-se diante da policia, festejando a possibilidade de uma cacearia contra o Presidente Morales, como publicamente manifestou o “Macho” Camacho (obscuro personagem, empresário ultraconservador, membro da elite cruzenha, imerso em negócios turbos, admirador de Pablo Escobar , que conseguiu o apoio da Policia e das Forzas Armadas) ao entrar no Palacio Quemado com uma Biblia na mao e gente armada. O terror contra as crases populares e indígenas, porque um dos motivos do golpe é a discriminação racial.

Basta com conectar com as cadeias de televisão Telesur ou com RT para assombrar-te da valentia do povo indígena que defende todos os logros obtidos durante os mandatos de Evo Morales fronte a policia e exercito, armados com armas de fogo real, autorizados para matar pola autoproclamada presidente provisório Jeanine Añez num decreto presidencial que eximia as FFAA e Policia de qualquer responsabilidade penal na atividade repressiva. Autoproclamação totalmente ilegal pois a tal Añez é vice-presidente terceira da Câmara, por tanto assumir a Presidência em caso de ausência corresponderia bem á Presidente, aos Presidentes das outras duas Câmaras e, sucessivamente, ao vice-presidente primeiro, no seu caso ao segundo e só a falta dos anteriores ao vice-presidente terceiro; precisamente por esta ilegalidade a Sra. Añez jurou sem quórum parlamentário, só como o apoio castrense, que impedirom aos membros das Câmaras reunir-se ameaçados de morte, polo que o que agora pretende é dissolver o Parlamento pola força para completar o golpe.

O primeiro em reconhecer e felicitar ao novo Governo forom Trump (instigador do golpe) e Bolsonaro (que queimou ou deixou queimar parte da Amazônia Brasileira, limítrofe com a Boliviana igualmente incendiada, em detrimento, entre outros, das comunidades indígenas que a habitam). Parece estranho que, ainda manifestando que se trata de um golpe de estado, também reconhecesse Rússia o novo governo provisório. A Policia que se aquartelara nos dias anteriores á saída de Molrales em vez de atender aos problemas de ordem público, saiu á rua com o governo provisório como fizo o exercito, amparando o golpe. Camacho entrou no Palacio presidencial com uma Bíblia na mão e um dos movimentos que se topa atrás do golpe som os fieles evangélicos e ultracatólicos, como os que apoiam a Bolsonaro no Brasil; a repressão dirige-se especialmente contra a povoação indígena e tanto a policia como o exercito utilizam armas de fogo com fogo real que já ocasionou vários mortos entre as comunidades indígenas. Não temos noticia de que nos seus anos de mandato nem Evo Morales nem seu governo utilizaram o exercito contra o povo.

Havendo conseguido o governo de Evo Morales um progresso notório no pais avançando no crescimento do PIB, na esperança de vida, nos ingressos per capita, reduzindo a pobreza em mais de um 40% e o analfabetismo, tomando mao dos recursos naturais, qual podia ser o motivo do golpe?

O estado plurinacional estabelecido por Morales que igualava em direitos aos povos indígenas com a sociedade tradicional colombiana, branca e de antigas famílias, criando uma crase media indígena paralela com a branca ao melhorar suas possibilidades sociais e económicas, foi um dos moviles de indignação de essas famílias tradicionais outorgando a este golpe evidentes motivos raciais e religiosos da comunidade Cristiana mais intransigente. Mas outras som as causas que avaliam a intrusão do exterior, designadamente EEUU e todos os governos sudaméricanos alinhados com eles.: fundamentalmente a importância dos recursos naturais bolivianos e de jeito especial as reservas de lítio, imprescindível nas tecnologias modernas para as novas baterias, do que tenhem o 70% da reserva mundial e que Morales havia estatalizado; a estratégia neoconservadora dos EEUU especialmente fronte á nova correlação de forças na América do Sul, com o cambio de governo em Argentina, as revoltas populares em Chile e outros países, o alinhamento de México, etc.

Indigna o escasso, e parcial, tratamento que recebe nos media a barbárie que se comete em Bolivia. E, como sempre, a tibieza com que os governos reagem fronte a golpes de estado nos que os maltratados som as crases populares

Solidariedade e verdade ao que ocorre em Bolivia. Não há nenhuma certeza de que houvesse amanho nas eleições, mas ainda que assim fosse nunca justificaria um golpe de estado nem uma repressão violenta e armada contra o povo.