… a G, a Ç, os dígrafos NH e LH e o uso padrão do V e do B, entre outras varias reividicações de sintaxe e de morfología, para adequarnos ao galego-portugues internacional que nos leva a normalizar a nossa escrita, reintegrándonos ao tronco común da lusofonia.

O empobrecemento que significa para um idioma prescindir de letras do alfabeto; o alfabeto precisamente é o sistema de signos gráficos que serve para transcrever os sons de uma língua, dispostos numa orden convencional; esses signos ficarom, a través do tempo, perfectamente determinados inicialmente polos gregos e depois adaptados no latim e adoptados por todas as linguas de tronco latino ou germánico (com variantes). Prescindir de alguma delas significa que o som que representa não tem transcripção gráfica, posto que cada letra identifica-se com um som diferente.

A escrita fixa um idioma e a ortografía prestigia o uso de ese idioma. Se queremos longa vida para o galego recuperemos as normas lingüísticas da lusofonia, do nosso territorio idiomático, recuperemos as letras injusta e indebidamente expulsas e restituamos seu uso, acorde com as normas internacionais do galego-portugues. A RAG tal vez pensa que os galegos imos confundir o som da J na fala castelhana com a que lhe corresponde se fala galego, porque é submisa á política castelhanizante e não tem vontade de impor a autoridade que deveria ter para o ensino e uso normalizado do idioma proprio; deveria sentir vergonha que tenhamos que mudar uma letra para que não se confunda seu som com o que representa a mesma letra num idioma estrangeiro. Curiosamente qualquera galego dalhe na fala o som que corresponde a vogais ou consonantes de diversos idiomas, tanto de origen latino como especialmente germánico. Sou consciente de que o panorama político resulta hostil ao normal desenrolo do noso idioma na nação galega, mas entristece ver que a RAG, conforme com casi todo o que vem do castelhano (que no seu atavismo segue a considerar idioma de prestigio) ignora que o galego e o portugués som a mesma lingua, com matices nos diversos países e incluso dentro do mesmo país, e que é um idioma de tanto prestigio que é a quarta lingua mais falada do mundo e que se o castelhano deixou de ser lingua do imperio há séculos o portugués seguiu sendo “lingua do imperio” até há poucos anos e que igual que o falante portugués sabe como se pronuncia a J não há problema algum para que o falante galego, se fala em galego, lhe dê a pronuncia adequada.

A RAG deveria sentir vergonha que tenhamos que mudar uma letra para que não se confunda seu som com o que representa a mesma letra num idioma estrangeiro

 

Não é válido utilizar a letra X como curinga ou comodim pois se som varias as letras de voz parecida som igualmente variados os sons que representam. Neste aspecto resulta trascendente e curiosa a atitude da RAG abenzoando a expulsão de varias letras do noso alfabeto e se cabe mais ainda que até há pouco lhe chamara a uma das letras, a letra Q, o cú (o subconscente castelanizante).

Verdadeiramente nunca entendim a primacia que se outorgou ao xis para que desplazase á J e ao G na escrita, expulsando por completo a uma e limitando á outra seu emprego eliminando-a diante do e ou do i. Mais lógico sería dar ás letras expulsas o som que corresponde na nossa lingua. Ja o dixo o presidente da RAG, Feijoo falado é Feixoo.

O Ç aparece em todos os documentos e textos literarios do medioevo e não consta que porque se utilice em Catalunya seja culpavel da actos de rebelião, sedição ou arrogancia para independizarse voluntariamente, polo que sua exclussão só podemos imputala a uma expulsão sem causa justa nem ainda conhezida, mais bem sem juiço condenada ao exilio. Na Academia da Lingua de esta nossa nação nao se outorga carta de cidadania ao Ç, mantendose orgulhosamente indiferente a que uma letra que tem presença, vida e respeito em todo o nosso mundo idiomático, o mundo da lusofonia, fique ignorada e abandonada. A nosa RAG é asim de autocrática e independente (excepto no atinente ao governo e política do país) que pode ignorar arrogantemente e sem explicações uma letra que é útil em todos os textos literarios da lusofonia.

Ja o dixo o presidente da RAG, Feijoo falado é Feixoo

 

Com os dígrafos madia a levamos. Abandonouse toda a tradição gramatical, toda a converssão do latím para as linguas romances, designadamente o mundo da lusofonia, e adoptouse a solução da única lingua romance que não seguiu o exemplo da suas irmas: a do impropio mundo lingüistico do castelhano. A explicação que escoitei de alguns ilustras literatos do nosso país para o uso do ñ e não do nh é a de que o duplo nn em latim, digamos annum, ao superporse dá a letra ñ, sendo seu resultado digamos año, porque tambem nossos literatos tenhem no subconscente o castelhano; certamente annum convirtese em año em castelhano, mas em galego da ano; o anho galego (ou año segundo a RAG) é o agnum latino, tambem com dígrafo. Somos colonizados polo castelhano até no uso ou adopção de essa letra ñ tanto propria e asumida polo Estado espanhol que incluso a levam como bandeira, estandarte e sinal de identidade na marca España. E nós, colonizados, largamos nossos dígrafos, nh e lh, para tomar a novidade do ñ, como qualquera patufo ou desleigado que despreza o proprio para copiar o alheio, ao margem da lógica; porque tambem o duplo l da l (nullum passa a ser nulo). Naturalmente com o beneplácito da altanera (para os galegos, mas sumisa para os poderes espanhois e sua lingua dominante) RAG que inclue um dígrafo, sem sonido propio, na palava “unha”, não se sabe muito bem porqué, pois o sonido nasal que pode ter ja fica desde o inicio resolvido na lusofonia com a palavra “uma”.

Resulta igualmente espanholizante o uso das letras v e b e a subtituição do final vel polo bel. Toda a lusofonia, nosso mundo lingüistico, emprega o V e o B de jeito similar e que coincide com o uso no castelhano antigo. Bom, pois o castelhano mudou as regras de uso e nos, sumisos imitadores, tambem mudamos para sair do nosso mundo lusófono e passarnos ao mundo idiomático do castelhano.

O Ç aparece em todos os documentos e textos literarios do medioevo e não consta que porque se utilice em Catalunya seja culpavel da actos de rebelião e sedição

 

A recuperação das letras que integram o alfabeto, das combinações que expresam diversos sons e do uso normalizado gramaticalmente dos diferentes sonemas resulta necessario numa aproximação ao galego-portugués internacional ou padrão. E neste mes das letras galegas serviria tambem para mandar uma mensagem de respeito e carinho a todas essas letras que forom expulsas no uso da nossa escrita habitual. Continuem os senhores académicos com suas liortas, ambicões, genreiras, odios e rencores, ignoremos uma instituição que resulta alheia ao comúm e tratemos de consolidar um movimento cidadão e cultural que se concience para recuperar a tradição da lingua dentro do seu natural evoluir.

 

Quinta do Limoeiro, maio de 2.018