Em datas recentes cumpriu-se um ano do assassinato de Jimmy, um membro dos Riazor Blues

Em datas recentes cumpriu-se um ano do assassinato de Jimmy, um membro dos Riazor Blues que viajou a Madrid num malfadado dia de Outono com o intuito de presenciar o jogo de liga entre Atlético de Madrid e Deportivo. Segundo relato dos membros da claque Riazor Blues deslocados à capital espanhola na mesma expediçom e segundo mesmo versom da polícia espanhola, o grupo de afeiçoados galegos foi atacado por um grupo muito mais numeroso de ultras do Atlético, armados com paus e coitelos.

Este relato vê-se reforçado por conversas de wassap entre pessoas que participarom na agressom aos siareiros do Deportivo intervidas pola polícia e mesmo publicadas na imprensa, mas a mídia espanhola reinventou a fita dos factos para levar a auga polo seu rego. Houvo umha insistência enfermiça em equiparar agressores e agredidos e em quase justificar a agressom, dando a entender que forom os da Corunha os que forom procurar a briga, levando afinal a pior parte mas que uns eram iguais aos outros.

Os suspeitos de terem participado na malheira ao siareiro corunhês estám só arguídos, por enquanto, polo mesmo cargo que as sessenta pessoas ligadas aos Riazor Blues, “briga tumultuária”

Passou o tempo, e eu, lendo umha entrevista num rotativo corunhês ao avogado dos Riazor Blues, Erlantz Ibarrondo, constato desde a minha condiçom de non-jurista e de non-jornalista, para além de pouco entendido em futebol e ainda menos entendido no mundo das claques e as brigas entre claques, que há umha concordáncia entre o relato jornalístico que se foi constroindo e a evoluiçom do caso na sua vertente jurídica. Comenta Ibarrondo, e fai-no cuidando-se muito de fazer juízos de valor além do estritamente jurídico, que chama a atençom que nom haja nengum imputado polo assassinato de Jimmy, e que os suspeitos de terem participado na malheira ao siareiro corunhês estám só arguídos, por enquanto, polo mesmo cargo que as sessenta pessoas ligadas aos Riazor Blues que forom detidas pouco depois de se produzirem a fatal bronca... “briga tumultuária”. Ibarrondo também fai a pregunta de porquê nom se acusa a ninguém das lesons sofridas pola outra pessoa que foi deitada ao rio durante o ataque. Quem realiza a entrevista ao avogado vai mais aló e pregunta como é possível que haja mais imputados da parte dos Riazor Blues que da parte do Frente Atlético, ao que Ibarrondo responde que, ainda que há bastantes imputados do grupo de siareiros do Atlético de Madrid, o certo é que a notificaçom das sançons administrativas chegou-lhes a todos os imputados corunheses, enquanto nom há constáncia de que ocorresse o próprio com os membros do Frente Atlético.

Nom importa quem começasse a briga, quem foi o agredido e quem o agressor, nem há nengumha intençom de fazer-lhe justiça à vítima mortal

E isto tudo, Erlantz Ibarrondo vai-no contando desde a cautela extrema, convidando ao mesmo tempo a que cadaquem tire a sua conclusom. Eu tiro a minha, e afirmo que este desgraçado acontecimento está a ser utilizado para fazer-lhe um juízo em falso aos “violentos do futebol”...o da morte de Jimmy é um acidente a maiores sem conseqüências ressenháveis além da “má imagem” que tais factos oferecem do futebol... polo demais, nom importa quem começasse a briga, quem foi o agredido e quem o agressor, nem há nengumha intençom de fazer-lhe justiça à vítima mortal.

Eu de questons jurídicas, nem a mais mínima ideia, como já dixem e como nom me cansarei de repetir, agora bem... eu o que vejo é que enquanto os Riazor Blues estám no alvo na sua própria cidade e se encontram expulsos do seu próprio estádio, enquanto há sessenta pessoas neste momento que estám a ser apremiadas para pagar nada menos que 60.000 euros de multa, e, sobre tudo, há uns filhos que perderom o seu pai e umha mulher que perdeu ao seu companheiro, há uns autores materiais de um assassinato que estám em liberdade a dia de hoje, e provavelmente alardeando da sua “façanha” e há umha claque de futebol que mais do que isso é um grupo de choque da extrema direita que continua accedendo sem problemas ao estádio Vicente Calderón (apesar da verborreia dos diretivos do Atlético) e que continua viajando, sobre tudo para juntar-se com outros grupos afins como os Ultra Boys do Sporting ou os Supporter Sur do Betis (estes que encorajavam a Rubén Castro por ter batido na sua namorada) suponho que para “celebrar” caçarias humanas conjuntas nas cidades que visitam, um desporto do que gostam muito mais do que do futebol. Particularmente vejo ao Frente Atlético pouco preocupado polo seu futuro, e desde logo nada condicionado no seu presente, apesar da proximidade no tempo do juízo.

E, vendo isto, nom poido evitar pensar que a equanimidade se perdeu nalgum ponto do caminho e que fazer justiça é o de menos para quem está neste caso encarregado de a impartilhar. Que aquí do que se trata é de “escarmentar” de algumha maneira a quem de um jeito inoportuno protagoniza factos violentos que, polo menos teoricamente, tenhem a desaprovaçom de umha maioria (em realidade, de portas do estádio para dentro nom está tam claro que todos estejamos por erradicar a violência) ainda que esse papel protagonista o tivesse de maneira involuntária, e sem importar se és agressor ou agredido. Umha “exemplaridade” falsa, cínica, hipócrita... ainda por cima avalizada e celebrada por predicadores futebolísticos da mídia de toda cor.