Em Portugal um movimento insurrecional pôs fim à ditadura. Em Espanha o ditador morreu na cama após deixar atado e bem atado quem iria ser o seu sucessor como chefe do estado, um Bourbon. Em Portugal a revolução abriu espaços de progresso graças ao impulso popular. Em Espanha as elites franquistas pactuaram a modélica transición com a esquerda estatal e uma fração -a mais ligada com a burguesia- do nacionalismo catalão.

Em Portugal 2018 têm um governo de centro-esquerda sustentado -não sem algumas tensões, como reflecte bem Manuel Mera no seu último artigo- por duas formações que bebem do marxismo, o PCP e o Bloco de Esquerda. Em Espanha 2018 governa um partido com vínculos históricos com a ditadura -de facto foi fundado por um ex ministro do tirano- e a alternativa é uma formação neo-liberal, espanholista e ligada à oligarquia financeira.

O 25 de Abril de 1974 levou Henry Kissinger a especular com a invasão de Portugal. "Há 50 por cento de hipóteses de perder o país", que ficaria em mãos dos comunistas, disse o naquela altura secretário de Estado numa conversa com o secretário de Defesa, desclassificada em 2013. Espanha 1975: o processo político após a morte do ditador foi em todo momento tutelado por Washington e Bonn.

Em Portugal 2018 há uma República. Em Espanha 2018 vigora a monarquia restaurada por Franco.